A Anthropic começou a implantar nesta semana uma marca d'água invisível nos textos gerados pelo Claude, e a reação imediata foi uma onda de cancelamentos de assinaturas. Usuários reclamam que o marcador persistente pode revelar o uso de IA em códigos, documentos e trabalhos acadêmicos, e alguns já migraram para alternativas como Grok e modelos chineses. A empresa nega que o número de cancelamentos esteja crescendo.
Como funciona a marca d'água
A Anthropic anunciou que a partir de 2 de agosto de 2026, algumas versões do Claude passaram a inserir uma "marca d'água imperceptível" diretamente no texto de saída. Segundo a empresa, o marcador acompanha o conteúdo quando copiado e colado, e pode resistir a edições parciais, permitindo identificar se o texto foi gerado por IA. A Anthropic afirmou ao Business Insider que a marca não altera o sentido, a qualidade ou a legibilidade das respostas. A medida foi tomada para cumprir o AI Act da União Europeia, e a companhia prometeu lançar uma API gratuita para que terceiros verifiquem a presença do marcador.
Cancelamentos em massa
Dezenas de usuários publicaram no X (antigo Twitter) prints de cancelamentos de assinaturas desde segunda-feira, atribuindo a decisão à marca d'água. O Business Insider entrevistou quatro deles. Um cliente do plano Claude Max (US$ 100/mês) que usava o assistente para programar aplicativos disse temer que o marcador apareça mesmo quando o Claude só foi usado para traduzir, corrigir citações ou resumir textos originais. Outro, desenvolvedor freelancer, cancelou a assinatura porque não quer que códigos entregues a clientes tragam vestígios de IA, o que poderia gerar questionamentos sobre autoria e até multas contratuais. Um terceiro, consultor de IA, afirmou que a marca d'água pode aparecer mesmo em documentos que ele mesmo escreveu e que o chatbot apenas editou. Um engenheiro de software que cancelou em julho disse que a marca d'água apenas confirmou sua decisão, já que a qualidade do serviço havia caído.

Para onde os usuários estão indo
Os relatos indicam uma migração para concorrentes. Um dos cancelados passou a usar Cursor e Grok 4.6 para programação, e o Grok Bot para tarefas pessoais. Outro afirmou que a marca d'água foi um "sinal" para buscar provedores chineses de IA e aprender a usar outros modelos. A possibilidade de terceirização para empresas chinesas foi mencionada de forma explícita. A Anthropic, por sua vez, declarou ao Business Insider que não observou um aumento na taxa de cancelamentos desde o anúncio, mas a reação negativa nas redes sociais parece longe de arrefecer.
Suporte à medida
Nem todos rejeitam a iniciativa. A executiva Aadit Sheth, da The Narrative Company, postou no X que o público tem o direito de saber se um texto reflete o pensamento humano. A Anthropic não é a primeira a adotar a técnica — o Google usa SynthID em imagens e áudio, o OpenAI também, e o X marca postagens como "Feito com IA". A empresa reforça que o marcador apenas indica que o Claude processou o texto, não necessariamente que o conteúdo é de autoria da IA. A controvérsia, no entanto, já expõe um dilema: transparência versus usabilidade em um mercado cada vez mais competitivo de assistentes de IA.


