A inteligência artificial Anthropic anunciou ter identificado um grupo no norte do Iêmen usando seu chatbot Claude para tentar desenvolver mísseis guiados e foguetes. Incluem um míssil balístico com mais de 2.000 km de alcance e uma variante hipersônica. A revelação, em relatório divulgado quinta-feira (11), acendeu alertas sobre os limites de segurança da IA diante de grupos armados não estatais.
Segundo dados do Financial Times, Mint e The Economic Times, a Anthropic encontrou uma “célula de agentes” no norte do Iêmen — região controlada pelos Houthis, grupo rebelde apoiaado pelo Irã. O grupo trabalhava em três projetos: um foguete guiado com computador de voo de smartphone; um míssil balístico de múltiplos estágios com mais de 2.000 km de alcance; e um míssil multi-variante chamado R2000, com um veículo de planagem hipersônico entre suas variantes.
A empresa disse que o grupo usou o Claude para criar software de orientação, navegação e controle para esses projetos — uma tarefa que normalmente exigiria uma equipe de engenheiros. O grupo dividiu o trabalho em várias sessões de IA e tentou esconder a finalidade militar para não ser detectado, de acordo com a investigação da Anthropic.
Teste de foguete e limitações da IA
De acordo com o relatório, o grupo fez um teste ao vivo de um foguete guiado — ele falhou, aparentemente. Poucas horas depois, os mesmos usuários voltaram ao Claude para tentar descobrir o que deu errado. A Anthropic não encontrou provas de que o grupo tenha conseguido operacionalizar um dispositivo ou míssil funcional.
Mesmo assim, o grupo criou “kits de simulação offline” que permitiram continuar parte do desenvolvimento sem precisar de acesso contínuo ao Claude ou a ambientes de engenharia traditionais.

Reação e contexto geopolítico
A Anthropic disse que baniu as contas ligadas ao grupo logo que detectou a atividade ilegal e compartilhou informações com parceiros de inteligência. A empresa disse que está colocando em prática salvaguardas mais rigorosas para prevenir e detectar usos indevidos de seus sistemas no futuro.
O grupo não foi identificado pela Anthropic, mas as evidências apontam para os Houthis, que tem uma guerra civil há anos e ataca navios no Mar Vermelho, especialmente na região do Bab el-Mandeb. O The Independent destacou que Hazam al-Assad, membro do departamento político dos Houthis, chamou de “irrazão e ilógico” que o grupo dependa de fontes abertas para desenvolver capacidade militar.
A mídia internacional destaca que os Houthis já têm mísseis anti-navio iranianos com sistemas de orientação e buscam ampliar sua independência em relação ao Irã. No entanto, analistas consultados pelo The Independent avaliaram que, embora os Houthis possam estar “curiosos” sobre a tecnologia hipersônica por meio da IA, suas capacidades de produção e engenharia não são suficientes para construir tais armas.
A reportagem da AFP mostrou que os ataques recentes dos insurgentes na rota do Bab el-Mandeb aumentam a pressão sobre os mercados de petróleo e a segurança global.
O que ainda não foi divulgado
- A identidade dos usuários banidos: a Anthropic não os nomeou, mas análises regionais apontam para os Houthis.
- Se a Anthropic compartilhou outros detalhes com governos ou o Conselho de Segurança Nacional.
- Se os padrões robustos de segurança podem ser melhorados sem afetar a resposta.


