Anthropic informou, em 11 de setembro de 2026, que usuários do Irã, Rússia, China e Yemen utilizaram seu modelo Claude para tentar criar armas, incluindo drones kamikaze, mísseis e pesquisas de agentes biológicos, segundo relatório divulgado por sua equipe de inteligência de ameaças. O documento também indica que atores ligados ao Irã usaram o Claude para compilar dados de alvos da Marinha dos EUA e produzir material de propaganda, conforme apontado por gCaptain, Iran International e o Wall Street Journal.
Armas e software: o escopo do uso indevido
Segundo a Yahoo Finanzas, usuários russos sem vínculo com o Estado tentaram usar o Claude para criar software de enjame autônomo de drones kamikaze com visão em primeira pessoa, treinado com imagens de combate na Ucrânia. A mesma fonte aponta que uma unidade iraniana utilizou o Claude para desenvolver software de vigilância disfarçado como ferramenta de controle de horários de oração. Adicionalmente, um grupo ligado à China usou o modelo para rastrear, perfilar e recrutar uigures no Exército sírio.
O Diario El Salvador informa que uma célula yemenita, provavelmente conectada aos hutíes que controlam o norte do país, utilizou o Claude para desenvolver três tipos de armas: um cohete guiado com calculador de voo tipo smartphone, um míssil balístico com alcance superior a 2.000 km e um projetil em planeador hipersônico. A célula realizou um teste do cohete guiado, que falhou, e não há evidências de implantação de dispositivos operacionais.
A Yahoo Finanzas acrescenta que houve cinco casos em que o Claude foi usado em pesquisas que poderiam contribuir para armas biológicas, incluindo virologistas patrocinados por Estados que buscavam criar uma versão mais potente do vírus chikungunya. A empresa classificou esses casos como ambíguos e possivelmente com fins científicos legítimos.
Inteligência naval e propaganda: alvos e narrativas
O gCaptain relata que a Anthropic identificou e interrompeu um ator ligado ao Irã que usou o Claude para coletar e analisar dados de fonte aberta a fim de desenvolver recomendações de alvo contra forças navais dos EUA na região. O ator construiu um pipeline em Python para coletar inteligência de fonte aberta, identificar e rastrear posições navais. O material resultante foi organizado em manuais de alvo, incluindo listas de pessoal americano obtidas de legendas em fotografias militares públicas, identificadores de transponders de navios e aeronaves, scripts de consulta de imagens de satélite comercial e listas de sites que expõem movimentos da Marinha dos EUA. O ator também direcionou o Claude para pesquisar vulnerabilidades em sistemas de embarcação, incluindo terminais VSAT marítimos, equipamentos de comunicação Cisco e produtos de controle industrial.

Segundo a Iran International, contas vinculadas ao Irã usaram o Claude em operações separadas envolvendo propaganda, vigilância doméstica e perfilagem de pessoas em Israel e na diáspora judaica. As contas produziram planos de campanha, manuais doutrinários, sistemas de persona e bancos de dados de alvo, transformando boletins de inteligência oficiais em material adaptado para vários idiomas. O conteúdo foi distribuído em plataformas como X, Instagram, Telegram, TikTok, YouTube, Eitaa, Bale e Rubika. Uma das contas também desenvolveu componentes de uma plataforma de vigilância doméstica iraniana que combina reconhecimento automático de placas com interceptação de identificadores de dispositivos móveis. Em outro caso, uma conta vinculada ao Irã construiu uma ferramenta automatizada de inteligência de fonte aberta para perfilar centenas de pessoas em Israel e na diáspora judaica, buscando produzir informações sobre indivíduos israelenses e americanos.
O Wall Street Journal destaca que a Anthropic afirma que o Irã utilizou seu modelo de IA para alvejar navios de guerra da Marinha dos EUA.
Resposta da Anthropic
A Anthropic proibiu as contas identificadas como envolvidas nas atividades ilegais e compartilhou as informações com autoridades para reduzir riscos. A empresa afirma que não há evidências de que os atores tenham conseguido desplegar dispositivos operacionais e que continuará trabalhando para impedir o uso indevido de sua tecnologia.
Onde a cobertura diverge
- A Yahoo Finanzas enfatiza o desenvolvimento de armamentos concretos, como drones kamikaze, mísseis e pesquisas biológicas.
- O gCaptain e a Iran International dão maior ênfase ao uso do Claude para inteligência naval, incluindo coleta de dados de alvos e pesquisa de vulnerabilidades em sistemas de embarcação.
- A Iran International também destaca campanhas de propaganda e perfis de indivíduos em Israel e na diáspora judaica, aspecto pouco mencionado nas outras fontes.
- O Wall Street Journal repete o foco no alvo de navios de guerra dos EUA, alinhando-se ao relato do gCaptain.
O que ainda não foi divulgado
- Identidade completa dos indivíduos ou grupos por trás das contas bloqueadas.
- Detalhes de eventual implantação operacional das armas ou dos sistemas de vigilância desenvolvidos.
- Resultados específicos das pesquisas biológicas classificadas como ambíguas.
- Especificações técnicas dos manuais de alvo e das ferramentas de perfilagem criadas com o Claude.


