Entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, a Anthropic anunciou que bloqueou tentativas de usar seu modelo Claude para pesquisas que poderiam levar ao desenvolvimento de armas biológicas, envolvendo grupos financiados por governos, organizações criminosas, espiões comerciais e indivíduos com motivações políticas.
Tentativas bloqueadas e perfis removidos
Segundo o G1, as consultas bloqueadas pediam ajuda para fraudes, ataques cibernéticos, desenvolvimento de armas e uso indevido de agentes biológicos. Uma tentativa chamou atenção: pesquisa por mutações que reforçariam o vírus da chikungunya.
A RTP Notícias detalhou três casos na China, dois na Rússia e um no Iémen. O relatório da Anthropic também apontou que meios de comunicação estatais russos usaram o Claude para gerar propaganda política disfarçada de conteúdo independente.
Jacob Klein, diretor de inteligência de ameaças da empresa, explicou à RTP que ninguém declara explicitamente a intenção de construir uma arma biológica, o que dificulta a detecção. Por isso, a Anthropic decidiu apagar definitivamente os dados e banir os perfis associados.
El País acrescenta que a empresa não sabe se a motivação por trás desses acessos era pesquisa científica ou uso malicioso, e que o anuncio ocorreu um dia depois de um de seus engenheiros alertar sobre os riscos.
Segundo a Reuters, citada pela Yahoo Canada Sports e ca.sports.yahoo.com, o uso malicioso dos modelos Claude Haiku, Sonnet e Opus foi interrompido no mesmo período, exceto por um caso de distilação de modelos maiores para treinar versões menores.
Outros usos indevidos e respostas da Anthropic
A mesma Reuters informa que foram identificados seis casos em que o Claude foi utilizado para desenvolver software de armas convencionais, incluindo foguetes, drones armados, bombas e seus sistemas de mira e controle.
O relatório também menciona uma campanha de espionagem cibernética ligada à Rússia e uma instituição de propaganda iraniana que utilizaram o modelo.
A Anthropic acusou empresas chinesas de IA de tentar replicar as capacidades do Claude e afirmou ter compartilhado inteligência com autoridades e parceiros do setor quando apropriado.
Jacob Klein, em entrevista ao New York Times, descreveu a situação como extremamente sutil, afirmando que não se vê alguém dizendo abertamente que quer construir uma arma biológica para matar a todos.
William MacAskill, especialista da Forethought Research citado pelo G1, alertou que a IA pode acelerar a pesquisa em biologia e dar acesso a milhares de pessoas a técnicas de manipulação de vírus, algo difícil de controlar.
A empresa disse que está se preparando para lançar ações na bolsa e reforçou a necessidade de ação conjunta entre desenvolvedores e defensores da sociedade para aumentar a segurança dos modelos.
Para evitar novos abusos, a Anthropic incorporou as descobertas do relatório em seus processos de prevenção, detecção e interrupção de atividades maliciosas.
Como a cobertura destaca aspectos diferentes
Cobertura brasileira, representada pelo G1, deu ênfase ao caso específico da chikungunya, à propaganda russa estatal e à preparação da Anthropic para oferta pública de ações.
A imprensa espanhola, exemplificada pelo El País, focou na incerteza da empresa sobre a intenção dos usuários e no fato de o announcement ter seguido imediatamente um alerta interno de um engenheiro.
Já a cobertura internacional, baseada nas matérias da Reuters reproduzidas pela Yahoo Canada Sports e ca.sports.yahoo.com, ampliou o escopo para incluir usos em armas convencionais, espionagem cibernética russa, instituição de propaganda iraniana, tentativas de empresas chinesas de copiar o Claude e a existência de cinco estudos de caso para armas biológicas e seis para armas convencionais.


