A AMD, empresa americana de processadores, manifestou interesse em fornecer componentes para o supercomputador de inteligência artificial do governo federal, cujo investimento previsto é de R$ 1,06 bilhão. A máquina será adquirida por meio de edital e instalada no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba (RN).
Participação por meio de parceiros
A AMD planeja entrar na disputa por meio de seus parceiros HP, Lenovo e Dell, que costumam montar propostas de clusters equilibrando tecnologia e custo em licitações desse porte. Sergio Santos, diretor-geral da AMD no Brasil, confirmou que a empresa já fornece componentes a essas empresas e considera ter alto grau de competitividade em compras governamentais.
“É um edital que foi elaborado durante muito tempo, e fornecemos informações ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação conforme nos solicitavam”, afirmou Santos ao GLOBO. “Iremos participar por meio dos nossos parceiros”. Várias empresas vão oferecer seus projetos, e tenho certeza de que a AMD vai estar em alguns deles.”
Mercado de CPUs para inferência
Quando se fala em supercomputadores de IA, costuma-se associar a GPUs — os chips usados no treinamento das máquinas, cujo mercado é dominado pela Nvidia, que teria entre 80% e 90% de participação. A AMD, nesse segmento, possui cerca de 5%. Mas a empresa enxerga oportunidade na venda de CPUs.

A demanda por esses componentes cresce com o avanço da inferência de IA. Durante o treinamento de modelos, os data centers usam normalmente oito GPUs para cada CPU. Com o aumento de tarefas de inferência, essa proporção tende a se aproximar de uma GPU para cada CPU. Entre as atividades que impulsionam esse movimento estão execução de código, navegação e busca na web e uso de APIs.
Cronogramo e expectativas
A licitação do supercomputador deve ser concluída entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, com instalação dos equipamentos prevista para o final de 2027. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação prevê que a máquina esteja entre as dez mais potentes do mundo para processamento de IA. A intenção é atender empresas, universidades, instituições de pesquisa e órgãos públicos, com foco em reduzir a dependência de processamento de dados estrangeiro.
A proximidade com a operação da OpenAI no Brasil também é citada como possível agregador de negócios para fornecimento de componentes.


