O acordo de livre comércio entre o Reino Unido e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), assinado em maio de 2026, pode acelerar a construção de centros de dados na região, ao remover obstáculos a fluxos transfronteiriços de dados e atrair investimentos em infraestrutura digital. O tratado figura entre os acordos comerciais mais relevantes fechados pela pós‑Brexit Britânica.
Disposições do acordo sobre fluxos de dados
Segundo a City AM, o acordo retira exigências injustificadas de localização de dados. Isso permite que informações do Golfo sejam armazenadas no Reino Unido e que dados do Reino Unido sejam guardados nos países do Golfo. A mudança pretende apoiar negócios digitais e a inserção de IA nas estratégias de diversificação dos países do Golfo. Em maio de 2026, o então Ministro de Estado para o Comércio, Chris Bryant, declarou que o tratado inclui compromissos desenhados para esse setor.
Capacidade de centros de dados no Golfo e no Reino Unido
A mesma fonte informa que, em 2025, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar somavam cerca de 1,06 GW de capacidade instalada de centros de dados, com previsão de ultrapassar 2 GW até 2028. A parcela destinada a IA deveria subir de 205 MW em 2025 para 534 MW no mesmo intervalo. A Arábia Saudita chegou a aproximadamente 440 MW em 2025 e pretende alcançar 1,3 GW até 2030. Já o Reino Unido possui cerca de 2 GW de capacidade atual, enquanto Londres acumula mais de 5 GW de oferta total entre centros em operação, em construção, comprometidos e em estágio inicial, segundo a pesquisa da DC Byte.
Desafios e oportunidades para o setor
Apesar do potencial, a City AM destaca que os centros de dados consomem muita eletricidade, ponto sensível diante do alto custo de energia no Reino Unido. A escassez de terreno e a oposição local frequentemente atrasam licenciamentos. Do outro lado, o Golfo oferece programas de desenvolvimento ambiciosos, acesso a energia barata e recursos financeiros abundantes, fatores que podem atrair investimentos britânicos para projetos na região. A construção de um centro de demanda vai além dos servidores: envolve engenharia, refrigeração, gestão de energia, cibersegurança, serviços financeiros, expertise jurídica, construção, imobiliária especializada, energia renovável e infraestrutura digital.
O que ainda não foi divulgado
- Valor ou percentual de aumento dos gastos com construção de centros de dados em julho
- Fontes além da City AM que tenham confirmado o dado de disparo dos gastos
- Detalhes específicos de quais projetos de centros de dados foram iniciados ou acelerados pelo acordo


