Gemini Spark usa senha salva no Chrome e Google alerta risco
O Google conectou o Gemini Spark ao Chrome em 30 de julho de 2026. O agente, que roda em máquina da própria empresa e segue trabalhando com o computador do usuário desligado, passou a abrir sites onde a pessoa já está logada e a entrar em contas usando as senhas guardadas no Google Password Manager, mediante autorização site a site. A ligação está sendo liberada apenas nos Estados Unidos. E a política corporativa que acompanha o recurso, a GeminiSparkSettings, disponível no Chrome 150 e superior, termina com um aviso de riscos significativos escrito pelo próprio Google.
O que o agente ganhou de acesso
O Chrome Auto Browse já existia desde 28 de janeiro, segundo o Habr. O que estreou em 30 de julho foi a ponte entre o Spark, que vive na nuvem, e o Chrome instalado na máquina do usuário.
A tarefa começa por um plano. O usuário vê quais sites e quais dados o agente vai precisar antes de autorizar. No primeiro acesso ao navegador, o Chrome pergunta em separado se pode vincular o dispositivo ao agente. Cada nova tarefa com navegação também pede confirmação.
Dentro da tarefa, o Spark escolhe sozinho os sites e a ordem das ações. O Chrome mostra o andamento. O usuário pode interromper o processo ou retomar a aba a qualquer momento, pelo botão Take over task.
Os exemplos divulgados pelo Google: achar apartamentos de uma lista salva e marcar visita; escolher um voo, entrar na conta da companhia aérea, preencher os dados e levar o processo até a reserva. No pagamento, o agente devolve o controle.
A senha não chega ao modelo
O Google Password Manager preenche o login no site autorizado e não entrega a senha ao Gemini. Pela descrição, o modelo não vê a senha no chat nem a guarda como parte da tarefa.
O agente entra na conta em nome do usuário. A primeira entrada em cada site exige permissão. Depois disso, a lista de sites com entrada automática fica visível no Google Password Manager, e o acesso pode ser revogado um a um.
Esse cuidado com a senha não se estende aos demais dados. Durante uma tarefa, o Spark pode enviar a um site de terceiros nome, dados de contato, arquivos, preferências e informação que o usuário considera sensível. Quem decide de quais dados o site precisa é o próprio agente. O Google recomenda ler o plano antes de rodar a tarefa.
As duas coberturas divergem no ponto central
O egípcio Unlimit Tech registra a versão do anúncio: o recurso traz proteção contra ataques de prompt injection e exige intervenção humana em operações sensíveis, como pagamento.
O russo Habr foi ler a política corporativa. A GeminiSparkSettings permite ao administrador liberar ou bloquear a conexão do Spark ao Auto Browse, e vale no Chrome 150 e superior em Windows, macOS, Linux e ChromeOS. A descrição dessa política termina com aviso direto de riscos significativos: ameaça às credenciais, acesso pela rede local e perda de sinais de contexto. O texto admite que controles e defesas já instalados podem não funcionar como a empresa espera.
O Google não descreve vulnerabilidade encontrada nem relata incidente. O documento delimita a fronteira de confiança do recurso e orienta o administrador a comparar com o próprio modelo de ameaça antes de ligar.
Duas máquinas, dois rastros
O Spark opera em dois navegadores. O local é o da máquina do usuário, e é ele que dá acesso às sessões já abertas. Para isso, o computador precisa ficar ligado e o Chrome aberto. O remoto roda em máquina do Google, serve para busca e comparação, e continua depois que o notebook fecha. Quando um site pede login no ambiente remoto, o agente para e chama o usuário.
O Google permite trocar de ambiente no meio da mesma tarefa. Se o Chrome local ficar indisponível, o Spark segue pelo remoto. O navegador remoto nasce como instância nova, e o Chrome local não é copiado para a nuvem.
O detalhe operacional está no rastro. O histórico da parte local fica no Chrome; os dados da parte remota ficam separados, na máquina virtual. Uma tarefa, dois registros. Quem for apagar histórico ou auditar por onde o agente andou precisa olhar nos dois lugares. Modo anônimo não é suportado.
Quem pode usar, e onde
O Spark faz parte do pacote Gemini Drops de julho. O Google diz ter liberado o agente em escala global, com exceção do Espaço Econômico Europeu, Reino Unido, Suíça e Nigéria, conforme o Unlimit Tech. A partir de 30 de julho, a expansão para assinantes do Google AI Pro alcança mais de 160 países. A lista de exclusão divulgada não inclui o Brasil.
A conexão com o Chrome local é outro produto. Ela está começando pelos Estados Unidos. Ter o Spark disponível no país não significa ter o navegador autorizado.
Os requisitos: 18 anos ou mais e conta pessoal do Google com salvamento de atividade ligado. Funciona no app do Gemini no celular, no app de macOS e na web. Nos Estados Unidos, o plano exigido é o Google AI Pro ou o AI Ultra. Fora dos Estados Unidos, as páginas de suporte ainda pedem o AI Ultra, segundo o Unlimit Tech, o que não bate com o anúncio de expansão do Pro.
O teto de uso é de até 20 tarefas de múltiplos passos por dia no plano Pro e até 200 no Ultra. A liberação é gradual, e cumprir todos os requisitos não garante que o botão apareça.
O resto do Gemini Drops de julho
O mesmo pacote trouxe Gemini 3.6 Flash e Gemini 3.5 Flash-Lite, com ganho de velocidade e desempenho, entrada por voz no macOS, novo avatar e integração com Dropbox, Zillow Rentals e Viator. A geração de imagem personalizada segue restrita aos Estados Unidos.
O que muda para quem decide no Brasil
A decisão prática cai no administrador do Chrome gerenciado, não no usuário final. A GeminiSparkSettings existe a partir do Chrome 150, e a postura padrão precisa estar definida antes de o recurso chegar. Decidir depois é decidir com o agente já dentro.
O aviso mais duro sobre o recurso saiu do fornecedor, não de pesquisador de segurança. Um agente que herda as sessões autenticadas do funcionário herda junto o que a rede local expõe àquele navegador: painel administrativo, sistema interno, ambiente que nunca teve exposição pública.
Teste inicial cabe em tarefa reversível. Comparar produto, procurar voo, juntar opções. Perfil separado, poucos sites liberados, nada de financeiro, dado de cliente ou console de administração.
Falta o dado que fecharia a conta. Não existe teste independente publicado do conjunto Spark mais Chrome. O que se sabe hoje vem do anúncio, da ajuda ao usuário e da política corporativa, três documentos da mesma empresa.
--- Apurado em 2 veículos de 2 países: Habr (Rússia) e Unlimit Tech (Egito).