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Google Antigravity e Gemini: IA de corrida vai a Interlagos

1 veículos 1 países 1 fonte lida análise OCTOPUS: AI NEWS

Carro de corrida em alta velocidade fazendo uma curva de autódromo
Foto: Philipp Fahlbusch / Pexels

O Google usou o Antigravity e o Gemini para montar um assistente de pilotagem que roda dentro do carro em movimento, e publicou o resultado do teste feito em 23 de maio de 2026 no autódromo de Sonoma. Ao ativar a TPU do Pixel 10, a inferência local subiu para 40 tokens por segundo, rápido o bastante para o sistema falar com o piloto ainda dentro da curva. A próxima etapa é em Interlagos, no Brasil. Nenhum veículo independente cobriu o experimento até agora. A única fonte é o blog do próprio Google.

Os números do teste de Sonoma

O Google Developers Blog publicou estes dados do experimento:

ItemValor
Data23 de maio de 2026, logo após o Google I/O
LocalAutódromo de Sonoma
Velocidade do carro100 mph, cerca de 160 km/h
Inferência local na TPU do Pixel 1040 tokens por segundo
Fluxo de telemetria10 Hz, vindo de centenas de sensores
Ganho de tempo medido0,1 segundo, na curva 2
Estágios do pipeline5, da coleta na borda ao aviso ao piloto

Por que o modelo desceu para o celular

A 160 km/h a orientação só serve se chegar dentro da curva, e esse prazo definiu a arquitetura do AI Race Coach.

O Google descreve o fluxo em cinco estágios: coleta na borda, processamento em tempo real, raciocínio híbrido entre borda e nuvem, e devolução imediata ao piloto por áudio e por tela.

O Google credita a viabilidade do teste a uma peça de hardware. Brian Luc, membro da comunidade, montou uma interface USB sob medida que liga o Pixel 10 direto à rede de telemetria do veículo. O cabo contornou a latência do wireless e abriu um fluxo de 10 Hz vindo de centenas de sensores do carro.

A ativação da TPU do Pixel 10, feita com engenheiros do Android, é o que levou o desempenho aos 40 tokens por segundo.

O que o Antigravity fez, na descrição do Google

No AI Race Coach, o Antigravity é a camada que mantém o estado da sessão e puxa a telemetria do carro. O Google o chama de cola de orquestração: ele segura o encanamento de dados para que quem constrói fique só com a lógica do sistema.

Os Google Developer Experts que participaram são engenheiros de software, não engenheiros de automobilismo. A tese do Google é que a ferramenta os liberou para tratar do comportamento do sistema e do método de treino ditado por especialistas de pista, sem precisar dominar o domínio técnico da corrida.

Por baixo, o Google Cloud Platform e o Agent Development Kit fizeram a análise da telemetria.

As equipes de produto do Antigravity estavam no local filmando. O material registra, nas palavras do Google, a passagem do "vibe coding" para uma implantação de produção na borda.

O ganho medido é de 0,1 segundo

Na curva 2, o sistema apontou uma nova zona de aceleração no meio do contorno, e o ganho foi de 0,1 segundo.

Esse 0,1 segundo é o único resultado quantificado que o Google divulgou sobre o AI Race Coach. A empresa não publica o tempo de volta de referência, quantas voltas foram rodadas, quantos pilotos participaram, nem se houve comparação contra a orientação de um treinador humano.

Interlagos é a próxima parada, sem data

O Google diz que a iniciativa segue para Interlagos. A justificativa declarada é de engenharia: clima diferente e traçado mais complexo, para endurecer a arquitetura.

A empresa não informou mais nada. Não há data, não há indicação de equipe ou parceiro brasileiro, e o anúncio não diz se será um evento aberto.

Energia e agricultura são o alvo declarado

Dois fundadores entraram no grupo de Sonoma para testar a mesma arquitetura fora da pista: Vijay Vivekanand, da COI Energy, e Jorge Mendieta, da Bloom Energy. Os casos citados são segurança de dutos de energia e gestão agrícola.

O argumento do Google é de transferência: se a orquestração agêntica aguenta decisão a 160 km/h, aguenta operação industrial onde errar sai caro.

O que o anúncio não responde

A fonte é única e é a parte interessada. Não houve verificação de terceiros.

O Google não informa qual variante do Gemini rodou no aparelho. Também não separa quanto do raciocínio ficou no celular e quanto foi para a nuvem. A própria descrição chama o estágio de híbrido, o que deixa em aberto se os 40 tokens por segundo cobrem o caminho inteiro da decisão ou só o trecho local.

O texto termina em duas chamadas de produto, um curso do Agent Development Kit e um codelab do programa de IA confiável. O post serve de material de divulgação dessas duas ofertas.

O desenho que interessa fora da pista

Quando a resposta precisa sair em fração de segundo, o modelo sai da nuvem e desce para o dispositivo. O gargalo passa a ser hardware, driver e cabo.

Em Sonoma o Google gastou o esforço em interface física, ativação de TPU e pipeline de telemetria. A escolha do modelo é o item menos detalhado do anúncio.

--- Apurado em 1 veículo.