Yvonne Gonzalez Rogers, 61, juíxa federal que já conduziu processos contra Apple, Elon Musk e OpenAI, inicia hoje, 23 de agosto de 2026, a ação de 29 procuradores-gerais contra a Meta nos EUA. O grupo acusa a empresa de projetar recursos — scroll infinito, redação automática de conteúdo, notificações push, conteúdo efêmero — para criar comportamentos compulsivos em crianças e adolescentes. A mesma juíxa presidiu a disputa Apple x Epic Games, onde reconheceu abuso de posição dominante na App Store, e o caso entre Musk e Sam Altman, encerrado por prescrição.
Carreira e estilo de julgamento
Nascida em Houston, formou-se em Princeton e pela University of Texas. Em 1991 tornou-se a primeira associada latina do escritório Cooley. Nomeada em 2008 pelo então governador de California, Arnold Schwarzenegger, passou a integrar o Alameda County Superior Court. Em 2011, Barack Obama a indicou para a corte federal. Conhecida no judiciário como YGR, é descrita como magistrada exigente, com baixa tolerância a esforços de indução ao erro. Sua reputação foi reforçada após o julgamento de Apple contra Epic Games, quando fixou multa diária de US$ 165 milhões por descumprimento de ordem judicial — valor que, segundo relatos, a empresa optou por pagar antes mesmo de o processo ser concluído.
Nos bastidores da decisão em contração com Apple, Rogers rejeitou argumentos da empresa sobre “interesse legítimo” no monopólio de pagamento, afirmando que desenvolvedores não podiam ser forçados a permanecer dentro de uma economia fechada. O então vice-presidente de relações governamentais da Apple foi acusado por ela mesma de ter omitido informações sobre comissões de transação. Apesar disso, não seguiu punição criminal — apenas encaminhamento a investigação federal.

No processo contra Musk, Rogers conduziu audiências públicas em que o CEO compareceu pessoalmente. O veredicto, embasado em júri consultivo, considerou que a ação foi apresentada após o prazo legal. Musk declarou ao final: “É uma questão técnica, não judicial.”
Elementos da ação contra a Meta
- Scroll infinito e autoplay de vídeos são citados como mecanismos de engenharia de dependência comportamental;
- Notificações push e feed não cronológico são apontados como agravantes de uso compulsivo;
- Coleta de dados de usuários menores sem consentimento parental é descrita como violação de regulamentações de privacidade infantil;
- A Meta nega intencionalidade, alegando que os recursos citados são padrões da indústria e destinam-se à conexão social;
- Autoridades estaduais afirmam que a empresa teria ciência dos riscos psicológicos associados ao uso prolongado desde 2018;
- Especialistas consultados avaliam que o julgamento pode influenciar regulamentações globais sobre plataformas digitais e saúde mental;
- Primeira audiência está marcada para a próxima semana no distrito norte da Califórni


