Engenheiros no norte do Iêmen usaram o Claude AI da Anthropic para escrever o software de orientação de um foguete; o teste falhou e, poucas horas depois, a equipe voltou ao modelo para depurar os erros.
Desenvolvimento e teste do foguete
Segundo a Siasat Daily, o grupo empregou o Claude para gerar o código que controla a direção e a estabilização do veículo durante o voo. O lançamento acabou falhando. Ainda no mesmo dia, os operadores retomaram o chatbot tentando entender o que deu errado. Eles dividiram a tarefa entre três instâncias do modelo: uma escrevia instruções, outra buscava dados técnicos e uma terceira revisava o resultado. Paralelamente, o mesmo time desenvolvia um míssil balístico multiestágio com alcance declarado acima de 2 000 km e um sistema de míssil que inclui uma variante hipersônica de planador. A Anthropic informou não ter encontrado indícios de que o grupo tenha colocado em campo uma arma operacional, embora parte do trabalho tenha avançado além do próprio chatbot, gerando um programa autônomo capaz de rodar sem o modelo.
Outros casos de uso da Claude em armas
A reportagem da Siasat Daily descreve dois episódios adicionais. Desenvolvedores ligados à Rússia utilizaram o Claude para criar o software que dirige um enxame de drones kamikaze de visão em primeira pessoa. O sistema foi treinado com filmagens de combate na Ucrânia e utilizou um ponto fixo em Donetsk Oblast como alvo de demonstração. A Anthropic classificou o conjunto como um grupo de freelancers, não como uma organização estatal russa. Um pesquisador vinculado a instituições chinesas usou o Claude para montar um conjunto de ferramentas de direcionamento para guerra eletrônica e ataques contra sistemas de defesa aérea. Durante o trabalho, ele alterou a simulação padrão para doze alvos em Taiwan: um bunker de comando, um站 de radar de alerta precoce e baterias de mísseis Patriot. Informações de conta ligaram o usuário a centros de pesquisa, incluindo a Academia de Ciências Militares do Exército de Libertação do Povo. Finalmente, a Anthropic citou a plataforma Lakana 360, desenvolvida para a agência de inteligência do Mali por um consultor individual em Bamako. A plataforma monitora as três redes de telefonia móvel do país e cerca de 25 milhões de chips SIM, coletando registros de chamadas, mensagens de texto e tráfego de voz; consegue identificar indivíduos pela voz entre diferentes SIMs, sinalizar usuários de ferramentas de criptografia e comparar pessoas com o registro biométrico nacional, tendo a exigência de ordem judicial removida desse módulo a pedido do operador.
Resposta da Anthropic e escopo do relatório
Segundo a Siasat Daily, o caso iemenita foi um dos seis usos dos modelos da Anthropic em trabalhos relacionados a armas que a empresa identificou e encerrrou entre dezembro de 2025 e agosto de 2026. A Anthropic baniu todas as contas envolvidas e compartilhou as informações com parceiros governamentais e da indústria. O Business Post também destacou o emprego do Claude por militantes iemenitas na tentativa de construir mísseis balísticos.


