Em 24 de setembro de 2026, o presidente chinês Xi Jinping afirmou na Casa Branca que Estados Unidos e China têm a responsabilidade de desenvolver a inteligência artificial para o bem comum e mantê-la sempre sob controle humano, no mesmo dia em que a Microsoft publicou um código de conduta provisório que impede seus modelos de IA de desenvolverem metas próprias ou comportamentos autônomos.
As duas notícias convergem para um momento em que o debate sobre os riscos da aceleração da IA ganhou força após alertas de executivos da Anthropic e da OpenAI e a demissão de um pesquisador que acusou as empresas de antepor a corrida tecnológica à segurança.
Xi Jinping coloca controle humano no centro da agenda bilateral
Em visita de Estado a Washington entre 23 e 25 de setembro, Xi Jinping discursou ao lado de Donald Trump e disse que ambos os países são nações líderes em inteligência artificial e devem garantir que a tecnologia esteja sempre sob controle humano e sirva ao povo, segundo a imprensa peruana e argentina que cobriu o encontro. "Temos tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e gerir a IA para o bem", afirmou Xi, conforme publicado pelo diário peruano Correo.
Trump reconheceu que a inteligência artificial, tratada como "superinteligência" na reunião, foi tema central da agenda e afirmou que as decisões dos dois países sobre o assunto podem promover a paz nas próximas décadas, de acordo com a argentina TN. A criação de uma junta de comércio bilateral também foi anunciada.
Xi ainda pediu que a competição entre Washington e Pequim seja "saudável" e que a rivalidade não se torne confrontação, citando que os interesses estão "profundamente entrelaçados".
Microsoft publica código de conduta para impedir autonomia da IA
A Microsoft divulgou um documento provisório intitulado 'Código de conduta para uma IA humanista', no qual se compromete a manter seus modelos de inteligência artificial sob supervisão humana, informou o hondurenho La Prensa, citando a agência EFE.
Entre as restrições, a empresa se compromete a impedir que seus modelos ajudem a fabricar armas, facilitem a aquisição de substâncias perigosas ou promovam comportamentos alimentares prejudiciais à saúde. Também não poderão gerar conteúdo violento ou sexualmente explícito.

O código estabelece que os modelos devem "evitar desenvolver metas próprias" e "evitar comportamentos destinados a ocultar erros ou condutas indevidas dos sistemas", segundo a mesma fonte. A Microsoft ainda afirma que qualquer sistema que não possa estar sob controle humano deve ser rejeitado e que "as pessoas importam mais que a IA".
O documento permanecerá aberto a comentários por seis semanas, com versão atualizada prevista para o fim do ano, que servirá de guia para o desenvolvimento dos modelos a partir de 2027.
Contexto: alertas de Anthropic e OpenAI
De acordo com a cobertura da La Prensa, o código foi publicado depois que Anthropic e OpenAI reavivaram o debate sobre os riscos da aceleração do desenvolvimento da IA e pediram um marco federal de segurança nos EUA. Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic que trabalhou na OpenAI, pediu demissão e acusou ambas as empresas de antepor a corrida por sistemas mais avançados à segurança.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, e Sam Altman, CEO da OpenAI, defenderam a desaceleração no desenvolvimento dos modelos mais potentes. Trump, no entanto, rejeitou a ideia e afirmou que os EUA devem manter a liderança tecnológica sobre a China.
O que ainda não foi divulgado
- A reação de outras big techs como Google e Meta ao código de conduta da Microsoft.
- Detalhes sobre os mecanismos bilaterais de comunicação sobre incidentes com IA que podem ter sido discutidos entre Trump e Xi.
- Se o código da Microsoft terá força contratual ou será apenas uma declaração de princípios.


