Vietnã promove diálogo regional para alavancar IA com foco em eficiência real e governança centrada no ser humano, destacando a importância de políticas públicas que equilibrem inovação e responsabilidade.
No âmbito do Viet Nam International Digital Week 2026 (VIDW 2026), realizado no dia 28 de outubro em Quảng Ninh, o Ministério da Ciência e Tecnologia de Vietnã organizou uma sessão de diálogo regional com o apoio do sistema das Nações Unidas no país. O encontro teve como objetivo principal identificar gargalos estruturais — como escassez de talento, acesso limitado a dados e infraestrutura computacional — que restringem a participação de diversos países no avanço da inteligência artificial.
Legislação como base para inovação
De acordo com o secretário-executivo do Ministério, Trần Trung Tính, Vietnã consolidou seu encaminhamento regulatório com a aprovação da Lei de IA em dezembro de 2025, que entrou em vigor em 1º de março de 2026. A legislação está alinhada com a Estratégia Nacional de IA até 2030 e a visão estendida até 2045, aprovada pelo governo em agosto de 2026. O texto estabelece uma abordagem de gestão baseada em riscos, priorizando diretrizes éticas e humanas no desenvolvimento tecnológico.

Três pilares para o crescimento da IA
As autoridades vietnamitas destacaram três eixos estratégicos para fortalecer a autonomia tecnológica: aperfeiçoamento de marcos legais e políticas setoriais; formação e retenção de recursos humanos qualificados; e construção de infraestrutura tecnológica, incluindo bancos de dados e ecossistemas de startups. Esses pilares visam reduzir as desigualdades globais no acesso à tecnologia de ponta. Para Amandeep Singh Gill, representante especial das Nações Unidas para Tecnologia Digital e Inovação, a cooperação internacional deve evoluir de debates teóricos para soluções práticas compartilhadas, com foco em transferência de conhecimento e redução das lacunas entre nações.
Diferentes contextos, mesmos princípios
Participante da sessão, Lucy Poole, diretora adjunta da Agência de Inovação da Austrália, ressaltou a necessidade de que sistemas de IA sejam projetados com participação direta dos cidadãos, evitando decisões automatizadas que afetem direitos fundamentais sem supervisão humana. Jaqueline Inarukundo, assessora sênior do Ministério das Finanças do Burundi, ilustrou como países em desenvolvimento podem usar IA para acelerar inclusão financeira e serviços públicos locais, mesmo com limitações de conectividade.
O que ainda não foi divulgado
- Detalhes sobre os termos específicos da Lei de IA de Vietnã, incluindo penalidades ou mecanismos de auditoria.
- Lista de participantes internacionais ou países envolvidos diretamente no diálogo regional.
- cronograma para implementação dos três pilares nacionais de desenvolvimento de IA.
- Projeções sobre impacto econômico esperado da adoção de IA centrada no ser humano.


