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Vazamento de dados do Smart Sampa expõe 58 mil câmeras por 11 meses

Prefeitura nega falha no sistema e afasta servidor responsável pelo acesso indevido às imagens.

20 de out., 21:45 5 fontes · 1 país Segurança Regulação
Segurança
Câmeras de vigilância conectadas a um sistema de monitoramento urbano em São Paulo. Foto: Star Zhang / Pexels

Dados sigilosos do sistema de monitoramento Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, ficaram expostos na internet por cerca de 11 meses, permitindo acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras conectadas à plataforma — entre elas equipamentos em ruas, escolas, creches e hospitais. A gestão municipal atribui o vazamento a um agente de segurança com acesso autorizado, que foi identificado, afastado e está sendo investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. A prefeitura nega qualquer falha no sistema e reforça que não houve uso indevido das imagens.

Afastamento do servidor e revisão de acessos

A Prefeitura informou que o funcionário, contratado em 2023 e vinculado ao setor de senhas, estava sendo monitorado por meio de uma isca no sistema. Após a divulgação da reportagem do UOL, a gestão decidiu afastá-lo e encaminhou o caso à Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) garantiu que o sistema é "absolutamente seguro", destacando que não houve invasão ou hackeamento, mas sim uso de senhas disponibilizadas ilegalmente por um servidor concursado. A administração também reforçou que implementou medidas como autenticação em dois fatores, senhas exclusivas e exigência de códigos via SMS para criação de novas credenciais.

Preocupação de especialistas com privacidade e segurança

O professor de segurança pública da FGV, Rafael Alcadipani, alertou para os riscos de falhas nos controles de acesso: um criminoso poderia obter informações sobre vítimas,_LOCALIZAR viaturas ou planejar atentados contra autoridades usando os dados do sistema.

Segundo Alcadipani, o ideal é que poucas pessoas tenham acesso às informações e que o monitoramento seja contínuo. Ele também apontou que, quando os controles não estão adequados, ferramentas criadas para proteger o cidadão podem ser usadas para praticar crimes contra ele.

Representação visual de vazamento de dados sensíveis em uma rede de segurança pública.
Foto: Ann H / Pexels

Sistema e investimentos

Lançado em 2024 com investimento mensal de cerca de R$ 10 milhões, o Smart Sampa integra câmeras públicas e privadas à uma central de monitoramento 24h. A tecnologia utiliza IA para identificar procurados, pessoas desaparecidas e veículos roubados ou furtados.

Em junho de 2026, a prefeitura ampliou o programa com o lançamento do aplicativo Smart Sampa Cidadão e a contratação de um helicóptero de monitoramento com custo estimado de R$ 2 milhões por mês. O balanço divulgado pela gestão aponta que o sistema contribuiu para a captura de 3.628 foragidos da justiça e a localização de 284 pessoas desaparecidas.

O que ainda não foi divulgado

Não há detalhes sobre o número exato de imagens acessadas ou o perfil completo do servidor afastado. A prefeitura não informou se houve cópias ou compartilhamento externo das imagens vazadas.

Apurado em 5 fontes

g1 São Paulo (Brasil)

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