Michael Smith, 54, residente de Cornelius, Carolina do Norte, foi condenado a 18 meses de prisão por orquestrar uma fraude de US$ 8 milhões em royalties de streaming usando milhares de contas de robôs para reproduzir músicas geradas por inteligência artificial entre 2017 e 2024.
Como o esquema de fraude funcionava
Segundo a Unite.AI, Smith criou contas automatizadas em plataformas como Amazon Music, Apple Music, Spotify e YouTube Music, utilizando software para mantê-las em reprodução constante de faixas que ele possuía, geralmente produzidas por IA. Para evitar detecção, distribuiu as streams em milhares de músicas diferentes, chegando a usar até 10.000 contas de robôs simultaneamente, abertas com e-mails falsos e cartões de débito obtidos ilegalmente. Documentos indicam que ele estimou gerar aproximadamente 661.440 streams por dia, rendendo cerca de US$ 1,2 milhão anuais em royalties. Em um e-mail de dezembro de 2018 para dois cúmplices, Smith afirmou que era necessário adquirir um grande volume de faixas rapidamente para contornar as políticas anti-fraude das plataformas. Em abril de 2023, enquanto o catálogo de Taylor Swift teve 9,3 milhões de streams em planos familiares do YouTube Music, as contas de Smith geraram 80,9 milhões de streams de suas produções de IA no mesmo serviço.
Detalhes da sentença e processo legal
A Unite.AI relata que a acusação de setembro de 2024 incluía três crimes: conspiração para fraude eletrônica, fraude eletrônica e conspiração para lavagem de dinheiro, cada uma com pena máxima de 20 anos. Smith foi preso naquele dia e, em 19 de março de 2026, perante o juiz John G. Koeltl, do Distrito Sul de Nova York, se declarou culpável de conspiração para fraude eletrônica. Em 6 de outubro de 2026, o mesmo magistrado aplicou 18 meses de prisão, dois anos de liberdade supervisionada e ordem de pagamento de US$ 8.091.843,64 em multa. A promotoria dos EUA destacou que este foi o primeiro caso criminalmente acusado pelo Departamento de Justiça envolvendo fraude de streaming auxiliada por inteligência artificial.
O que ainda não foi divulgado
- Identidade e situação legal do executivo da empresa de música por IA (referido como CC-3) e do promotor musical (CC-4), citados nas comunicações de 2018 e 2019 como fornecedores das faixas geradas por IA utilizadas no esquema.
- Informações sobre se os dois indivíduos mencionados no e-mail de dezembro de 2018 para aquisição rápida de músicas foram acusados ou firmaram acordos de colaboração com as autoridades.
- Explicação para a diferença entre o valor inicialmente estimado de mais de US$ 10 milhões em royalties fraudulentos e o valor final da multa fixado em US$ 8.091.843,64.


