De acordo com o especialista ucraniano Konstantin Kryvolap, a Força Aérea do país tem empregado inteligência artificial em drones de longo alcance que já atacaram alvos russos a mais de 2000 quilômetros de distância.
Como a IA auxilia os drones em ambiente de guerra eletrônica
Konstantin Kryvolap explicou que o maior desafio para os drones ucranianos é operar diante dos sistemas de guerra eletrônica (REB) da Rússia, que podem bloquear ou distorcer o sinal de controle. Quando a ligação com o operador é perdida, o software de inteligência artificial assume a responsabilidade de manter a rota e de identificar o alvo com precisão. Segundo ele, a IA foi treinada para reconhecer padrões de terreno e de emissões eletrônicas que indicam a presença de um objetivo válido, permitindo que o drone ajuste seu curso sem intervenção humana. O especialista acrescentou que esse processo de aprendizado envolveu inúmeros testes em condições simuladas de interferência, algo que foi essencial para criar um comportamento confiável diante da intensa atividade de REB.
Integração da IA nos drones começou em 2023
O especialista afirmou que os engenheiros ucranianos iniciaram os trabalhos de incorporação de inteligência artificial em plataformas de ataque ainda em 2023. Desde aquele ano, foram testadas diversas abordagens, algumas descritas por ele como “soluções malucas”, que eventualmente contribuíram para melhorar a capacidade de navegação autônoma. Kryvolap disse que, ao longo desse período, a equipe conseguiu avançar de forma incremental, ajustando algoritmos e sensores para que os drones pudessem voar em zonas onde a interferência de sinal é intensa. Ele também mencionou que cada ciclo de testes gerou lições que foram incorporadas nas versões subsequentes, gerando uma evolução contínua do sistema embarc.

Dependência da IA diante da indisponibilidade de Starlink
Konstantin Kryvolap destacou que, atualmente, praticamente todos os drones de longo alcance usados pela Ucrânia carregam algum tipo de sistema de inteligência artificial a bordo. Ele observou que o enlace via Starlink, frequentemente empregado para controle remoto, não funciona sobre o território russo, o que torna a manutenção de um enlace estável extremamente difícil. Nesse cenário, a IA se torna essencial para que o aeromovel continue voando rumo ao alvo e execute o ataque mesmo quando o contato direto com o piloto é interrompido. O especialista acrescentou que, sem a IA, a probabilidade de perder o drone ou de desviar do trajeto aumentaria significativamente, comprometendo o resultado da missão.
Uso prático relatado por unidade de frente
Como exemplo de aplicação em campo, Kryvolap citou a brigada NGU “Kharta”, que já teria empregado drones com inteligência artificial em operações de batalha. Segundo o relato da unidade, a tecnologia auxilia na detecção precoce de alvos, na sua aquisição automática e no engajamento eficaz, mesmo quando os sistemas de guerra eletrônica inimiga tentam interromper a comunicação. O especialista ressaltou que, nesses cenários, o piloto raramente assume o controle direto nas fases finais da missão, pois o software de IA já está apto a conduzir o veículo até o ponto de impacto. Ele também observou que os comandos de unidade têm relatado maior taxa de sucesso em missões de longo alcance desde a adoção generalizada da IA nos drones.
Informações que ainda não foram divulgadas
- Não foram divulgados os números exatos de drones que possuem a tecnologia de IA a bordo.
- O material não especifica quais modelos ou fabricantes de aeronaves estão sendo adaptados com os sistemas de inteligência artificial.
- Não há detalhes sobre o tipo específico de algoritmo, arquitetura de rede ou conjunto de dados utilizado para treinar a IA nos drones.
- O especialista não mencionou se há planos para compartilhar, exportar ou vender a tecnologia a parceiros internacionais ou a outras forças armadas.


