Diante da pressão do presidente Donald Trump, que defende que o termo “inteligência artificial” (IA) soa como algo falso e propôs a substituição por “superinteligência” (SI, do inglês Super Intelligence), empresas da Silicon Valley começaram a adotar o novo vocábulo em comunicados oficiais, conforme apura a agência sul-coreana Yonhap News.
Trump teria sugerido a mudança durante discurso em 22 de agosto, afirmando que a sigla IA soa como se a tecnologia fosse falsa. Dias depois, em 29 de agosto, assinou uma ordem executiva determinando que documentos oficiais do governo federal, sites e relatórios passassem a usar “superinteligência” em vez de IA. Em 8 de agosto, a Casa Branca também afirmou que qualquer um que usasse o termo “IA” ao invés de “SI” seria considerado inimigo da administração.
CEOs seguem o novo vocabulário
Em apresentações de resultados corporativos, líderes de grandes empresas começaram a incorporar o termo proposto pelo presidente:
- Elon Musk, da Tesla e SpaceX, usou “SI” durante uma chamada de resultados do dia 21 de outubro, ao falar sobre robôs humanoides, dizendo que a empresa ainda não utiliza “IA avançada ou SI”;
- Mark Zuckerberg, da Meta, disse em chamada que o objetivo da empresa é “entregar SI personalizada a todos”;
- Satya Nadella, da Microsoft, mencionou “SI” oito vezes em carta a acionistas, escrevendo que a empresa está “entrando na era da SI”;
- Arvind Krishna, da IBM, e Lip-Bu Tan, da Intel, usaram os dois termos, embora a Intel tenha associado a “SI” à “demanda sem precedentes” por semicondutores;
- Jensen Huang, da NVIDIA, publicou em seu perfil na rede X (ex-Twitter) que a “SI oferece uma incrível oportunidade para avançar a descoberta, produção, segurança, saúde e prosperidade”.
Empresas e governos resistem
Amazon e Alphabet (Google) mantiveram o uso tradicional de “IA” nas apresentações de resultados. A Yonhap também destacou que especialistas manifestaram ceticismo sobre o termo “superinteligência”, alegando que ele exagera na capacidade atual da tecnologia. A primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, também se opôs, afirmando que “na fase atual, é IA mesmo”.
O que ainda não foi divulgado
- Conteúdo exato da ordem executiva de 29 de agosto, incluindo prazos de implementação;
- Reações formais de governos de outros países sobre o uso do termo “superinteligência”;
- Definição regulatória precisa do que o governo norte-americano entende por “superinteligência”.


