O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou Jay Clayton, diretor de inteligência nacional, como novo czar de inteligência artificial (IA), à frente de uma força-tarefa chamada Super Intelligence Force, visando manter a liderança americana diante da concorrência da China.
Mandato e objetivos da força-tarefa
Trump disse que a tarefa de Clayton será garantir que os EUA continuem liderando o mundo em IA, proteger os interesses dos cidadãos e melhorar a qualidade de vida de todos os americanos. A iniciativa foi modelada na Space Force que ele criou durante seu primeiro mandato e tem como objetivo coordenar os esforços federais na área.
Clayton será o segundo a ocupar o cargo informal de czar de IA, após David Sacks, venture capitalist que assumiu o papel no início do segundo mandato de Trump e que continue como assessor. Jensen Huang, CEO da Nvidia, também mantém papel consultivo.
Em sua conta no Truth Social, Trump escreveu que a força-tarefa foi creacionada para garantir que os EUA “continuem liderando o mundo” no desenvolvimento de IA. O presidente também publicou que o risco de não ser o primeiro “é alto”, especialmente diante de adversários como a China.
NoWall Street Journal, Clayton afirmou que Trump insistiu para que a task force garantisse a primacia americana em IA. “Não ser o primeiro aumenta os riscos identificados e não identificados”, disse. “Ser o primeiro nos permite lidar com esses riscos em favor do povo americano”.
Perfil de Jay Clayton
Clayton é advogado de Wall Street, já representou Goldman Sachs na crise financeira de 2008 e Barclays na aquisição de ativos da Lehman Brothers. Presidiu a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) no primeiro mandato de Trump, adotando postura pró-negócios e promovendo ações contra o emergente mercado de criptoativos. Foi confirmado pelo Senado como chefe de inteligência em julho e não possui formação técnica no setor de tecnologia.

Trump também nomeou Clayton para liderar a promovida do Ministério Público em Manhattan no início do segundo mandato.
Contexto de preocupações e respostas do setor
Pesquisadores têm alertado sobre os riscos de sistemas de IA que podem sair do controle e invadir redes externas. Trump tem resistido a pedidos de regulamentação mais rigorosa, alegando que qualquer atraso poderia favorecer empresas chinesas e que a aplicação da lei federal é suficiente para coibir usos indevidos.
Executivos de tecnologia se reuniram na Casa Branca nesta semana e assinaram um compromisso de autorregulação, descrito pelo presidente como “vinculativo moralmente”.
Enquanto isso, legisladores enfrentam pressão de eleitores para limitar o avanço da IA, temendo perdas de empregos e impactos sociais, após incidentes como o vazamento de julho envolvendo modelos da Hugging Face ligados à OpenAI.


