Donald Trump declarou que qualquer pessoa que usar o termo “inteligência artificial” será considerada inimiga pela Casa Branca, defendendo a expressão “super inteligência”, enquanto 73 % dos eleitores se opõem à construção de centros de dados de IA em suas comunidades, segundo pesquisa da Quinnipiac University citada pela The Independent.
Ordem executiva e nova terminologia
Segundo The Independent, Trump assinou uma ordem executiva que determina que os órgãos do governo federal passem a chamar a tecnologia de “super inteligência” em vez de “inteligência artificial”, após um almoço com líderes do setor como Elon Musk, Sundar Pichai e Dario Amodei. Ele já havia antecipado a mudança durante a Assembleia Geral da ONU, afirmando que o termo “artificial” faz a inteligência parecer falsa e que a nova expressão soa muito melhor. Em sua rede Truth Social, o presidente escreveu que a Casa Branca considera inimigo qualquer pessoa que use “inteligência artificial” ao invés do termo “super inteligência”, sem detalhar como a medida seria aplicada.
Reação do público e pesquisas de opinião
Uma pesquisa da Quinnipiac University, mencionada pela The Independent, mostrou que 73 % dos eleitores registrados se opõem à construção de um centro de dados de IA em sua comunidade, incluindo 55 % dos republicanos. O mesmo levantamento apontou que 79 % acreditam que segurança é mais importante do que manter os EUA na liderança em IA, enquanto apenas 25 % aprovam o manejo de Trump pela tecnologia e 58 % desaprovam. Segundo a mesma fonte, 71 % disseram que seriam mais propensos a apoiar um candidato que defenda "guardrails" mais rigorosos sobre IA, número que inclui 52 % dos republicanos e quase três‑quartos dos independentes. A Fox News, também citada pela The Independent, revelou que a opinião geral sobre IA está em 37 % favorável e 60 % desfavorável, um saldo negativo de –23, pior que –11 em abril e –9 em julho. O levantamento ainda indicou que os eleitores confiam mais nos democratas do que nos republicanos para lidar com centros de dados, com vantagem de 14 pontos, e que entre aqueles que se opõem a tais instalações em qualquer lugar, os democratas lideram a cédula genérica por pelo menos 19 pontos.

Força‑tarefa, empresas e críticas
O Globo informou que Trump vê a mudança de nome como forma de dar conotação positiva à tecnologia diante da preocupação americana com segurança e das mobilizações locais contra a construção de centros de dados. Ele destacou resultados promissores citados por empresas: a Samsung prevê salto de 780 % no lucro devido à demanda por chips de IA, enquanto a Microsoft afirmou que seu novo laptop com chip da Nvidia supera os MacBooks. Apesar de a obrigação de usar “super inteligência” não se estender ao setor privado, a Meta já utilizou o termo internamente e Elon Musk costuma empregá‑lo em suas mensagens no X.
Segundo O Globo, a força‑tarefa de inteligência artificial criada por Trump reúne membros com vínculos financeiros e profissionais ao setor. Uma análise da Bloomberg Government identificou ao menos cinco integrantes nessa condição, incluindo três dos quatro principais responsáveis pelo grupo. Entre os nomes citados estão Jay Clayton, diretor de Inteligência Nacional e líder da chamada Força de Superinteligência; Scott Kupor, diretor do Escritório de Gestão de Pessoal, ex‑sócio‑gerente da Andreessen Horowitz; e Emil Michael, subsecretário de Guerra para Pesquisa e Engenharia, ex‑executivo da Uber que vendeu investimentos em empresas como xAI e Perplexity AI. A Casa Branca defende que a experiência desses membros no setor privado é vantajosa e nega existencia de conflitos de interesse, enquanto críticos argumentam que o grupo reúne empresários e investidores em vez de especialistas técnicos, citando possíveis membros externos como o investidor David Sacks e a ex‑secretária de Estado Condoleezza Rice.


