John Ternus toma o comando da Apple em 1º de setembro, sucedendo Tim Cook, e herda um cenário de pressão: acelerar a inteligência artificial enquanto a guerra tarifária entre EUA e China mete mais um abafador na cadeia de suprimentos da empresa.
Cadeia de suprimentos na mira da guerra comercial
A Apple não precisa de fábrica. Não. Ela tem uma espiral de fornecedores — bilhões faturados por uma logística que saiu do plano de Cook: encaixe perfeito entre componentes, preços de desconto e a China como berço de quase tudo. Funciona tão bem que, até hoje, a empresa ainda paga menos por um iPhone do que o custo de um notebook de entrada.
Mas essa eficiência vira isca enquanto os EUA ameaçam tarifar tudo que vem do Oriente. Trump já avisou: quanto mais caro importar da China, mais barato — e patriótico — montar nos Estados Unidos. A Apple ou move a produção ou paga o preço.
Diversificação travada por burocracia e pressão política
A aposta na Índia, desde a pandemia, não é novidade — e nem resolve. O país foi o plano B, mas Trump não quer só que a Apple saia da China. Ele quer que ela entre no Texas.

Em julho, senatoras de Nova York, Indiana e Idaho mandaram carta a Cook: não trabalhe com empresas chinesas. A mensagem é clara. E a resposta da Apple? Decenas de bilhões em chips feitos nos EUA e uma linha de montagem do Mac Mini no Texas. É muito? Talvez. Mas não é o suficiente para tirar a maior parte da cadeia da Ásia.
Maior parte da produção não sai da Ásia
ABC Color lembra: a rede de fornecimento da Apple continua, na íntegra, no leste asiático. A diversificação é parcial. A dependência, intacta.
Ternus precisa acreditar no hardware para acreditar na IA
A escolha de um executivo de hardware — e não de software — sinaliza algo: Apple acha que a IA do futuro não roda na nuvem. Roda dentro do aparelho. E nisso, Ternus herda não só o cargo, mas a aposta de que dispositivos integrados vão decidir quem lidera a IA da próxima geração.


