A Board of Audit and Inspection (BAI) da Coreia do Sul atribuiu o incêndio que atingiu o National Information Resources Service em setembro de 2023 à subcontratação de empresas sem licença para um projeto de troca de baterias. A falha na cadeia de fornecimento deixou o governo com serviços online essenciais interrompidos e elevou o prejuízo total para 351,1 bilhões de won, bem acima da estimativa inicial de 59,7 bilhões de won.
Como a subcontratação ilegítima levou ao fogo
A investigação mostrou que a empresa vencedora da licitação para substituir as baterias do centro de dados repassou o trabalho a outra companhia. Essa segunda empresa, por sua vez, subcontratou duas firmas que não possuíam as licenças exigidas pelo governo para realizar serviços elétricos.
As duas firmas não licenciadas executaram a troca sem seguir procedimentos de segurança básicos, como desligar a energia do rack de baterias antes de iniciar o serviço. A ausência dessa medida aumentou o risco de curto‑circuito e gerou as chamas que se espalharam pelo local.
O National Information Resources Service recebeu do contratante original a informação de que pessoal externo seria utilizado, mas não verificou se as empresas contratadas estavam registradas ou autorizadas pelos órgãos reguladores.
Falhas na prevenção e na resposta ao incidente
Cinco meses antes do incêndio, a Agência Nacional de Bombeiros tinha planejado realizar inspeções de segurança nas instalações do centro de dados. Um oficial do local recusou o pedido, justificando que as salas de servidores eram consideradas zona de segurança e, portanto, não deveriam ser acessadas por equipes externas.

Depois que o fogo começou, o centro não adotou ações eficazes para conter a propagação das chamas. Além disso, pediu aos bombeiros que evitassem usar água nos equipamentos, alegando que o líquido poderia danificar a rede de computadores e piorar os prejuízos.
Impacto nos serviços e no custo total
O incêndio danificou servidores críticos e deixou fora do ar sites governamentais, sistemas de centros comunitários e outras plataformas online em todo o país. A restauração completa desses serviços levou 95 dias, período em que cidadãos e instituições enfrentaram dificuldades para acessar serviços públicos essenciais.
Enquanto o próprio centro havia inicialmente estimado o dano em 59,7 bilhões de won (aproximadamente US$44,4 milhões), a BAI concluiu que o prejuízo real, ao incluir custos sociais e indiretos, chegou a 351,1 bilhões de won.
O que ainda não foi divulgado
- Os nomes das empresas envolvidas na cadeia de subcontratação, incluindo o contratante original e as duas firmas não licenciadas.
- Os valores exatos dos contratos firmados para o projeto de troca de baterias e os repasses às subcontratadas.
- Detalhes sobre eventuais multas, processos administrativos ou ações judiciais contra os responsáveis pelas falhas.
- Informações sobre mudanças nas políticas de fiscalização, nos requisitos de licenciamento ou nos procedimentos de contratação após o incidente.


