A Société de transport de Montréal (STM) está testando um sistema de inteligência artificial para identificar pessoas que permanecem nas estações de metrô próximo ao horário de fechamento, visando acelerar o encerramento das linhas durante a noite; segundo a La Presse, mais de 11 000 pessoas foram acompanhadas por constables especiais no ano passado.
Como o sistema funciona
Segundo a Radio-Canada, a solução de IA, desenvolvida pela startup montréalense Lipslogics, vem sendo testada desde janeiro nas estações Papineau e Place-Saint-Henri, analisando em tempo real as imagens das câmeras de vigilância.
A tecnologia identifica quando uma pessoa permanece na estação uma hora antes do fechamento e envia uma notificação ao centro de operação de vídeo; esse alerta só é repassado aos constables especiais após validação humana, conforme informou a própria STM à Radio-Canada.
Ambas as fontes destacam que as gravações são apagadas após um período de cinco a dez dias e que o sistema não realiza reconhecimento facial, informação confirmada pela STM à La Presse.
Expansão prevista e contratos
Segundo a La Presse, se o piloto tiver sucesso, a STM pretende levar a tecnologia para as estações Frontenac, Langelier e Radisson, todas na linha verde.
A mesma fonte informa que já foi firmado um contrato de gré a gré no valor de 103 500 dólares com a Lipslogics para a fase inicial do projeto.
A La Presse também acrescenta que o grupo da STM considera prematuro estimar o custo total de instalação em toda a rede, já que seria necessária a modernização de vários sistemas.
Críticas e contexto de segurança
A La Presse ressalta que, desde março de 2025, permanecer parado no metrô sem se mover não é mais permitido, medida conhecida como "obrigação de circular", que a STM manteve até abril de 2027 e pode ser prorrogada novamente.

Segundo a mesma fonte, no ano passado mais de 11 000 pessoas foram acompanhadas por constables ao encerrar o serviço, número que tem subido continuamente.
A reportagem da La Presse indica que apenas 52 % dos usuários se sentem seguros no metrô e nos ônibus atualmente, contra 62 % dois anos antes.
Organizações como a Ligue des droits et libertés temem que a ferramenta seja usada para remover pessoas em situação de rua a qualquer momento; a STM afirmou à imprensa que o software visa apenas verificar se há uma presença humana que possa gerar ganhos operacionais.
Trabalhadores de rua ouvidos pela La Presse afirmam que, desde a implementação da obrigação de circular, o sofrimento das pessoas em situação de rua e a frequência de comportamentos agressivos aumentaram nos recursos de apoio.
A La Presse também menciona que, em abril, a STM já havia fechado algumas entradas de metrô para tentar controlar a presença de pessoas em situação de rua e o consumo de drogas, e que um serviço de mensagem de texto para denúncias de incivilidades foi colocado em funcionamento.


