A gravadora Round Hill Music entrou com uma ação na Califórnia contra a Anthropic e a Suno, alegando que as empresas usaram indevidamente letras de pelo menos 500 músicas cujo direito pertence à editora para treinar seus modelos de inteligência artificial. Entre as composições citadas estão canções de James Brown, The Kinks e Goo Goo Dolls. O processo foi registrado em 17 de agosto de 2026 e a Round Hill informou ao tribunal que pode ampliar a investigação para incluir dez mil ou mais composições.
Reivindicações específicas da Round Hill
- A Round Hill afirma que a Anthropic utilizou letras de pelo menos 500 músicas sob seus direitos para treinar o chatbot Claude, ensinando-o a responder a comandos humanos.
- A editora alegou também que a Suno empregou as mesmas músicas no treinamento de seu sistema de geração musical baseado em IA.
- Em ambos os casos, a Round Hill disse ao tribunal que poderá ampliar a lista de composições envolvidas para mais de dez mil canções.
- Agravada a escopo das alegações, a editora busca uma indenização que poderia se aproximar ou ultrapassar US$ 1 bilhão.
Posição das empresas e histórico jurídico
Porta-vozes da Anthropic e da Suno não devolveram imediatamente os contatos da Reuters. Josh Gruss, presidente-executivo da Round Hill, declarou em comunicado que levará os casos a julgamento e não aceitará acordos que deixem compositores e artistas sem sua parte legítima da remuneração. A Anthropic, com apoio da Amazon, chegou ao primeiro acordo de uma giganta da IA ao pagar US$ 1,5 bilhão a um grupo de autores para encerrar uma ação coletiva. A empresa também enfrenta processos separados movidos pela Universal Music Group, pela BMG Rights Management e outras editoras por supostamente usar indevidamente milhares de letras de canções para treinar modelos de inteligência artificial. A Suno enfrenta ações semelhantes movidas pela UMG e pela Sony Music.
Contexto de disputas por direitos autorais
Os processos da Round Hill se juntam a dezenas de casos em que detentores de direitos autorais, como autores e veículos de notícias, demandam contra empresas de tecnologia como OpenAI, Microsoft e Meta por uso de conteúdo protegido no treinamento de sistemas de IA. A ação reforça o confronto crescente entre empresas de IA e titulares de direitos sobre como o conteúdo deve ser empregado na formação de modelos. A Round Hill sustenta que a expansão das reivindicações pode crescer bastante, considerando decisões favoráveis a detentores de direitos em casos anteriores que trataram de outras categorias de conteúdo digital.


