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RFK Jr. apoia IA e gera desconforto entre aliados MAHA

Segundo The Independent, o secretário de saúde Robert F. Kennedy Jr. apoiou a IA em um evento MAHA, provocando críticas de aliados e especialistas médicos.

06 de out., 14:02 6 fontes · 4 países Negócios
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Foto de um painel de conferência sobre inteligência artificial na área da saúde Foto: Tara Winstead / Pexels

Segundo The Independent, o secretário de saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., manifestou apoio público à inteligência artificial durante um encontro da campanha "Make America Healthy Again" (MAHA), afirmando que a tecnologia pode libertar os americanos da "tirania médica" ao possibilitar que eles verifiquem por conta própria as orientações de saúde.

Reação de aliados do movimento MAHA

Aliados que haviam construído o MAHA em torno da desconfiança em grandes corporações, especialmente fabricantes de vacinas, remédios, alimentos industrializados e agrotóxicos, estranharam o posicionamento de Kennedy. Eles afirmaram que o apoio à IA representa um acercamento aos mesmos interesses corporativos que o movimento inicialmente buscava fiscalizar, sugerindo que a liderança está se acostumando a receber recursos e espaço de fala de empresas que têm negócios pendentes perante o governo federal.

Posição de especialistas médicos sobre o entendimento da IA

Especialistas questionaram se Kennedy compreende o funcionamento dos sistemas de inteligência artificial. O oncologista e bioeticista Zeke Emanuel, da Universidade da Pensilvânia, declarou que ele parece não perceber que a IA simplesmente reproduz e organiza o conhecimento médico existente, proveniente de artigos revisados por pares e diretrizes clínicas, incorporando ainda o feedback de profissionais de saúde. Segundo Emanuel, usar a IA para que o indivíduo "verifique" conselhos médicos acaba entregando, na prática, a mesma expertise que se busca evitar.

Patrocínio do summit e preocupações com conflito de interesses

O encontro que recebeu o discurso de Kennedy contou com patrocínio da OpenAI e da Anthropic, além de mais de doze outras empresas que possuem assuntos pendentes diante de agências governamentais americanas. Entre os patrocinadores estavam desenvolvedores de fármacos psicodélicos, fabricantes de wearables de monitoramento de atividade física e responsáveis por um teste experimental de detecção precoce do câncer. De acordo com a reportagem, os valores pagos pelos patrocinadores chegaram a até US$ 300 mil e muitos deles obtiveram oportunidades de participar como palestrantes em painéis que incluíam altos funcionários de saúde, como o doutor Mehmet Oz, responsável pelos Centros para Medicare e Medicaid Services.

Foto de funcionários do governo dos EUA ao lado de logotipos de empresas
Foto: Mark Stebnicki / Pexels

Declaração da porta‑voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos

A porta‑voz do HHS, Emily Hilliard, disse que a descrição feita por Emanuel sobre a IA representa apenas uma das possíveis aplicações da tecnologia. Segundo Hilliard, a intenção de Kennedy é utilizar a IA para que os cidadãos tenham maior controle sobre seus próprios dados de saúde, possibilitando que eles compreendam, interroguem e comparem essas informações com a evidencia científica disponível, sempre em conjunto com a orientação de profissionais médicos. Ela acrescentou que, ao automatizar algumas etapas de análise, a IA poderia permitir que os médicos dediquem mais tempo ao atendimento direto dos pacientes.

Crítica sobre a ausência de representantes da base do movimento

O pesquisador de vacinas Robert Malone, que já manifestou dúvidas sobre a segurança das vacinas baseadas em RNA mensageiro e participou de painéis federais sobre imunização sob a gestão de Kennedy, afirmou que o evento evidenciou uma substituição dos ativistas de base – as denominadas "MAHA moms" e outros grassroots – por interesses corporativos. Segundo Malone, não houve presença de médicos, pacientes ou defensores de pacientes que historicamente tinham papel central na construção e na condução do movimento MAHA.

Contextualização do movimento MAHA e sua relação com a indústria

O movimento "Make America Healthy Again" surgiu a partir da preocupação de parcelas da população com a influência de grandes corporações sobre políticas de saúde, especialmente quanto a vacinas, medicamentos, alimentos processados e pesticidas. O apoio inesperado de Kennedy à inteligência artificial, portanto, contrasta com a origem do grupo, que se pautava pela fiscalização dessas mesma empresas. Essa tensão entre a raiz do movimento e o novo enfoque tecnológico tem sido apontada tanto por aliados quanto por críticos como um sinal de possível realinhamento de prioridades dentro da liderança do MAHA.

Apurado em 6 fontes

The Independent (Reino Unido)

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