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Reino Unido corre risco de virar cliente de alto valor da IA

Carta do CST ao ministro da IA, Kanishka Narayan, alerta que o país pode perder autonomia sem investimento urgente em empresas locais.

19 de out., 13:34 3 fontes · 2 países Regulação
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Reunião de oficiais do governo discutindo políticas de inteligência artificial Foto: Aaron Johnson / Pexels

Segundo a City AM, o Conselho para Ciência e Tecnologia (CST) enviou em julho uma carta ao ministro de IA, Kanishka Narayan, advertindo que o Reino Unido corre o risco de se tornar apenas um 'cliente de alto valor' de inteligência artificial, em vez de desenvolver sua própria tecnologia, se o governo não investir urgentemente em empresas locais.

Advertência do conselho científico

Sem ação deliberada e urgente, o Reino Unido pode ficar dependente de tecnologia estrangeira e perder a capacidade de moldar o desenvolvimento e o uso da IA, segundo o CST. A carta pediu um plano nacional de soberania da IA para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e proteger a competitividade de longo prazo do país.

Recomendações para soberania da IA

O conselho fez quatro recomendações principais: mapear a infraestrutura de IA do Reino Unido; nomear um único oficial responsável por coordenar as decisões de investimento; fortalecer as competências domésticas, a pesquisa e o acesso a dados; e incentivar os ministros a testarem modelos de IA britânicos em serviços públicos, como saúde e segurança nacional, mantendo o acesso aos sistemas internacionais mais avançados.

O CST também sugeriu alocar capacidade de supercomputação nacional para esses testes e considerar um modelo de IA britânico de código aberto proposto pelo Instituto Alan Turing.

Investimentos existentes e pedidos de maior financiamento

O alerta do CST ocorre após o lançamento do fundo soberano de IA do governo, de 500 milhões de libras, destinado a apoiar startups britânicas que desenvolvam tecnologias estratégicas. Na semana anterior, o fundo havia aportado recursos à startup de vigilância Augur, que também ganhou acesso ao supercomputador Isambard‑AI do Reino Unido para treinar seus sistemas.

Laboratório de supercomputador usado para treinar modelos de IA britânicos
Foto: Ivan Chumak / Pexels

Harriet Rees, diretora de tecnologia do Starling Bank, afirmou à City AM que 500 milhões de libras 'não é muito dinheiro' no contexto das necessidades de investimento em IA.

Executivos de BT, Leonardo e outras empresas de tecnologia defendiam, segundo a City AM, que sejam destinados mais de 20 bilhões de libras em investimento soberano de IA ao longo de cinco anos, cobrindo poder de computação, centros de dados e infraestrutura de energia.

Limitações e ressalvas do conselho

O CST deixou claro que não defende a independência tecnológica total, mas sim um investimento direcionado em capacidades domésticas, mantendo o acesso aos sistemas internacionais de IA quando necessário. O acesso aos modelos globais mais poderosos continua importante, mas o Reino Unido não deveria depender deles em todos os casos de uso.

As decisões tomadas agora determinarão se o Reino Unido conseguirá capturar os benefícios econômicos e públicos da IA enquanto preserva a resiliência e a autonomia estratégica, conforme destacado pelo CNA, diante da corrida global para construir capacidades próprias diante da dominância de poucas empresas, sobretudo norte‑americanas.

Apurado em 3 fontes

City AM (Reino Unido) · CNA (Singapura)

ver as 3 fontes

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