A Ralph Lauren anunciou que passou a vincular parte do bônus anual de seus executivos a metas de inteligência artificial, substituindo o critério de sustentabilidade que estava em vigor desde 2022, segundo o The Economic Times. A mudança faz parte de uma tendência mais ampla em que cerca de 12% das empresas do S&P 500 divulgaram metas relacionadas à IA em seus planos de incentivo este ano, segundo dados da Conference Board e ESGUAGE compartilhados pela Reuters.
Antes disso, a companhia ligava parte da remuneração dos executivos a um indicador de cidadania e sustentabilidade, descrito internamente como uma métrica 'warm-and-cuddly', que havia sido utilizado nos planos de bônus por quatro anos, segundo o mesmo veículo.
Agora, as metas de IA foram acrescentadas a outros fatores já existentes, como crescimento de vendas e controle de custos operacionais, para ajustar o pagamento do bônus anual dos líderes, conforme explicado no relato do The Economic Times.
Fatores que compõem o bônus
- Crescimento de vendas
- Controle de custos operacionais
- Metas de inteligência artificial
De acordo com o The Economic Times, a alteração consta de um arquivo de 131 páginas divulgado pela Ralph Lauren, que indica que, no ano fiscal de 2026 - concluído em março -, o plano de incentivo de curto prazo foi vinculado, pela primeira vez, a prioridades críticas de negócios que focam os executivos na alfabetização e habilitação em IA.
A porta-voz da empresa afirmou ao mesmo veículo que a meta de IA reforça as oportunidades de usar a tecnologia para melhorar o trabalho da companhia e que os antigos indicadores de sustentabilidade já tinham contribuído para avanços significativos nas metas ambientais e sociais.
Ela acrescentou que esse trabalho já está operacionalizado em toda a organização.
A Ralph Lauren está entre as poucas empresas de varejo listadas que inseriram explicitamente metas de IA em seus planos de incentivo, juntando-se a companias fora do setor como Salesforce e Textron, que também substituíram indicadores ESG, segundo o The Economic Times.
Algumas empresas de consumo, incluindo a PepsiCo, citaram o avanço de uma agenda de IA como fator para definir o bônus de executivos específicos neste ano, de acordo com o mesmo artigo.

O percentual de companhias do S&P 500 com metas de IA nos planos de incentivo subiu de 5% em 2024 para 12% em 2026, segundo a Conference Board e a ESGUAGE, dados divulgados pela Reuters.
Para Cory Morrow, parceiro da Korn Ferry que lidera a prática de remuneração executiva para consumo e varejo, o maior desafio ao colocar IA em um plano de bônus é quantificar exatamente o que está sendo medido, comentou ele ao The Economic Times.
Ele acrescentou que, como o uso de IA em incentivos ainda é relativamente novo, as empresas estão apenas estabelecendo uma linha de base para o que pode ser mensurado.
Consultores de remuneração consultados pelo The Economic Times afirmam que mais concorrentes da Ralph Lauren podem adotar medidas semelhantes, já que investidores buscam retorno sobre os gastos com IA e as empresas de consumo recorrem à tecnologia para ampliar margens.
Cory Morrow, da Korn Ferry, observa que a dificuldade reside em definir métricas claras para a IA, pois o campo ainda está em fase de estabelecimento de parâmetros mensuráveis.
O plano de bônus anual continua funcionando como dispositivo de comunicação das prioridades da empresa, e métricas financeiras como crescimento de vendas e lucratividade deverão seguir formando a maior parte dos pacotes de incentivo, concluiu Morrow.


