Três empreendedores franceses lançaram esta semana o Prix Pascal de Littérature IA, o primeiro prêmio literário dedicado a obras de ficção co-escritas com inteligência artificial. A iniciativa admite o envio de manuscritos inéditos entre 10.000 e 50.000 palavras, desde que acompanhados de informações sobre o modelo de linguagem e o prompt utilizado. Qualquer grande modelo de linguagem é aceito, incluindo ChatGPT, Claude, Gemini e LLaMA.
Requisitos e contexto regulatório
As inscrições estão abertas até 30 de novembro, e a obra deve ser apresentada em francês, estando disponível para autores de qualquer nacionalidade ou residência. Apesar de exigir ficção, o edital pede que os textos abordem questões éticas, sociais ou ecológicas que ameacem a humanidade.
O prêmio surge em meio a polêmicas recentes em torno do uso de IA por autores premiados em categorias tradicionais, como o Commonwealth Short Story Prize, o Caine Prize e o Prix Goncourt. Essas controvérsias culminaram na eliminação de um novelista de destaque da lista indicada ao Goncourt após acusações de uso de IA em seu processo criativo.
Fundadores e intenções
Criado por Philippe Rodriguez, Albin Serviant e Gilles Mentré — todos empreendedores tecnológicos —, o Prix Pascal busca propor uma nova dinâmica para a literatura diante do avanço da IA. Rodriguez é sócio-fundador da consultoria de fusões e aquisições Avolta e figura destacada no câmbio e blockchain francês. Serviant é empreendedor digital e ex-presidente da revista LGBTQ+ Têtu. Já Mentré é filósofo com doutorado, leciona na Universidade de Harvard e na Panthéon-Sorbonne, além de ser co-fundador da plataforma de votação eletrônica Electis.

Formato e cronograma
Alista de 10 finalistas será divulgada em dezembro, com anúncio do vencedor marcado para meados do mês. O certame não especificou valor monetário do prêmio, mas comprometeu-se a publicar a obra vencedora. O júri será composto por cinco ou seis profissionais da escrita, crítica, filosofia e editoração, com nomes a serem revelados em novembro.
Onde a cobertura diverge
Segundo a Reuters, a iniciativa surge como resposta direta à crise de governança em prêmios literários tradicionais, enquanto a imprensa ucraniana destacou o aspecto institucional, mencionando apenas a criação da premiação sem detalhar seus termos. Já veículos malaisesos enfatizaram a ausência de definição de prêmio em espécie e júri oficial, alertando para o caráter experimental da premiação.
O que ainda não foi divulgado
Valor do prêmio em dinheiro, critérios exatos de avaliação, lista completa de jurados e detalhes sobre a publicação da obra vencedora.


