A polícia finlandesa abriu investigação criminal sobre a limpeza de centenas de hectares de floresta para a construção de um centro de dados do Google em Muhos, no norte do país, antes de as avaliações ambientais obrigatórias serem concluídas.
Desmatamento irregular sob investigação criminal
A polícia de Oulu investiga a subsidiária do Google na Finlândia, Tuike, por suspeita de infração ambiental. Segundo a imprensa, a empresa derrubou cerca de 330 hectares de floresta em Muhos e aproximadamente 200 hectares em Kajaani antes de completar as avaliações ambientais exigidas por lei.
A agência de supervisão ambiental da Finlândia (LVV) já havia ordenado a paralisação dos trabalhos em outubro, após denúncias de uma organização ambientalista. O delegado Kari Pakanen, da polícia, informou que o caso investiga possíveis violações da lei de águas e danos ambientais, com possibilidade de multa corporativa em caso de condenação.
Corte de mato sem autorização
Documentos mostram que o desmatamento em Muhos começou em março e seguiu por meses, mesmo após a LVV alertar em maio que as avaliações precisavam ser concluídas antes de qualquer atividade de limpeza.
O gestor da Finlândia do Google, Antti Järvinen, pediu desculpas pelos cortes, alegando que a empresa acreditava que as ações estavam em conformidade legal. A atualização sobre o caso será divulgada em dezembro, mas a investigação deve se estender até 2027.

Investimento bilionário sob sombra ambiental
O centro de dados faz parte do plano anunciado pelo Google em setembro para investir US$ 15 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial na Finlândia, descrito pela empresa como seu maior investimento na Europa.
O ministro da Finlândia, Petteri Orpo, havia apoiado o investimento, destacando benefícios para a economia nacional, apesar das preocupações sobre consumo energético. O país se tornou um hub para centros de dados graças ao seu clima fresco, energia de baixo carbono e apoio governamental aos projetos de IA.
A decisão sobre a retomada dos trabalhos depende da LVV, que ainda não definiu prazo para a concessão de novas licenças.
O que ainda não foi divulgado: não foram informados quantos centros de dados estão envolvidos nos cortes florestais, nem se a investigação abrangerá outras operações do Google na região.


