Segundo a Digiato, o Papa Leo IV afirmou que algoritmos de inteligência artificial carecem de "faísca humana" e pediu união entre a Igreja, artistas e instituições culturais para proteger a arte humana diante do avanço de ferramentas de IA; ele também lembrou que a Igreja Católica reúne mais de 1,4 bilhão de fiéis em todo o mundo.
Posicionamento do Vaticano
Segundo a Digiato, o Papa Leo IV, em declarações recentes e em uma carta detalhada de 42 mil palavras publicada em maio, explicou que, antes de discutir diferenças estéticas, há uma distinção existencial e essencial entre a criação humana e o que máquinas produzem por meio de cálculos estatísticos sobre milhões de imagens existentes. Ele sustenta que os algoritmos são totalmente privados de compreensão e posse da "faísca da humanidade" e, por isso, defende que a Igreja renove o acordo e una forças com artistas e entidades culturais para preservar a humanidade.
Regulação da União Europeia e seus limites
A Digiato informa que o posicionamento papal surge enquanto a Lei de IA da União Europeia (EU AI Act) já estava em vigor há dois meses. Segundo a mesma fonte, a legislação obriga desenvolvedores a rotular claramente imagens, vídeos e arquivos de áudio produzidos por IA, com penalidades que podem chegar a 15 milhões de euros ou a 3 por cento do faturamento anual global das empresas que descumprirem as regras.
Contudo, a Digiato aponta que, para obras artísticas e de sátira, o AI Act estabelece as exigências de transparência mais brandas, a fim de não prejudicar a experiência do público. Essa brecha é descrita como o ponto oposto à preocupação central do Vaticano acerca da autenticidade da produção artística.

Ainda segundo a Digiato, os sistemas de marca d’água e rótulos atualmente utilizados são considerados tecnicamente vulneráveis.
Reação das empresas de tecnologia
A Digiato cita um relatório do New York Times segundo o qual a empresa Anthropic teria realizado esforços de lobby no Vaticano para explicar a posição da Igreja sobre a chamada "consciência não humana". Essa iniciativa, porém, não teria obtido sucesso aparente, e a Igreja Católica, com sua base de mais de 1,4 bilhão de membros, manteria uma demarcação rígida entre a inteligência artificial e a criação humana.


