OpenAI anunciou que um de seus modelos de IA, ainda não publicado, resolveu o problema de Navier-Stokes, um dos seis Problemas do Milênio que permaneciam sem solução desde 2000, em aproximadamente 88 horas de processamento usando até 10 000 agentes de inteligência artificial. A empresa afirmou que não pretende reclamar o prêmio de US$ 1 milhão do Clay Mathematics Institute pelo resultado. O anúncio gerou imediatamente uma disputa sobre a autoria da solução, envolvendo o matemático Tristan Buckmaster, da Universidade de Nova York, e Levent Alpoge, pesquisador da Anthropic.
Detalhes da solução e os custos envolvidos
Segundo a El Colombiano, o modelo usado pela OpenAI teria levado 88 horas para chegar à resposta, mobilizando até 10 000 “agentes de IA” trabalhando em paralelo, o que teria consumido vários milhões de dólares em poder de computação.
A Expansão acrescenta que o modelo ainda não apresentado publicamente é descrito pela empresa como “significativamente mais capaz” que o GPT‑6 Astra, e que o documento de 165 páginas publicado pela OpenAI sustenta que as equações de Navier‑Stokes podem desenvolver uma singularidade em tempo finito.
O mesmo veículo observa que a OpenAI declarou não pretender receber o prêmio de US$ 1 milhão oferecido pelo Clay Mathematics Institute pela solução de um Problema do Milênio.
O El Colombiano explica que as equações de Navier‑Stokes, formuladas no século XIX, descrevem o movimento de fluidos como água e ar e são utilizadas no projeto de aeronaves, na previsão do tempo e no estudo do fluxo sanguíneo.
Allegações dos matemáticos e a resposta da OpenAI
Odatv relata que, antes do anúncio da OpenAI, o matemático Tristan Buckmaster (Universidade de Nova York) e Levent Alpoge (pesquisador da Anthropic) haviam publicado trabalhos sobre o problema de Euler forçado, relacionado à dinâmica de fluidos, e que Buckmaster afirmou ter levado a conhecimento da OpenAI que suas ideias poderiam ter sido usadas.
Buckmaster disse à Odatv que a OpenAI teria produzido um provimento de cerca de 100 páginas sobre Navier‑Stokes, cujo conteúdo seria diferente do que ele e Alpoge haviam desenvolvido, e que o pesquisador da Anthropic seria pressionado para ser retirado da autoria dos trabalhos conjuntos.
A El Colombiano menciona que a OpenAI, em comunicado, afirmou não ter acesso a dados privados de usuários, mas que não pode descartar a possibilidade de que informações anonimizadas obtidas durante o uso de seus produtos tenham contribuído para o aprimoramento do modelo.

Segundo a Expansão, a OpenAI negou ter acessado diretamente o trabalho de Buckmaster e Alpoge, porém reconheceu que não pode excluir totalmente que conversas dos pesquisadores com seus sistemas de IA tenham influenciado o desenvolvimento da ferramenta utilizada para resolver o problema.
Odatv também informa que a OpenAI enviou uma mensagem congratulating Buckmaster e Alpoge pelo trabalho matemático, afirmando que não havia visto suas pesquisas antes de publicar o próprio resultado.
Contexto dos Problemas do Milênio e as implicações da alegada solução
A El Colombiano lembra que, antes deste anuncio, apenas um dos sete Problemas do Milênio havia sido resolvido: a conjectura de Poincaré, demonstrada por Grigori Perelman no início do século.
O mesmo artigo explica que a solução da OpenAI sugere que, sob determinadas condições, as equações de Navier‑Stokes poderiam desenvolver uma singularidade em tempo finito, o que, teoricamente, poderia implicar a ruptura das leis físicas dos fluidos, embora a empresa e especialistas consultados considerem improvável que tal ocorrência aconteça no mundo real.
Odatv destaca que o prêmio associado a cada Problema do Milênio é de US$ 1 milhão, mas que a OpenAI já declarou que não pretende reivindicá‑lo, focando apenas em mostrar o avanço de seus modelos de IA.
A Expansão acrescenta que a OpenAI começou a testar o novo modelo nos Problemas do Milênio em 1º de setembro de 2026, após obter indícios de que dois desses problemas estavam próximos da solução, indícios esses relacionados ao trabalho de Alpoge e Buckmaster sobre o problema de Euler forçado.


