Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, o secretário‑geral António Guterres declarou que guerras, mudanças climáticas e a inteligência artificial descontrolada são os temas centrais que os líderes mundiais deverão enfrentar nesta semana. Ele acrescentou que a IA avança mais rápido do que a capacidade humana de compreender suas consequências.
Conflitos e crises humanitárias em evidência
Segundo La Nación, a pauta inclui as guerras no Irã, Gaza, Ucrânia, Sudão, Congo e Myanmar, além da crise climática e do aumento dos preços que tornam a vida difícil para centenas de milhões de pessoas. O The Boston Globe acrescenta que a reunião de alto nível será marcada por esses conflitos e pela pergunta se os líderes podem fazer algo para detê-los. A CNN Brasil informa que Guterres citou ataques contra civis, mortes de trabalhadores humanitários e o aprofundamento das divisões geopolíticas e das desigualdades como parte do cenário de risco.
- Participam cerca de 130 chefes de Estado e de Governo, além de dezenas de ministros.
- Os discursos de abertura terão o presidente dos EUA Donald Trump e o presidente francês Emmanuel Macron na terça‑feira.
- Na quarta‑feira falam o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian.
- Na quinta‑feira o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu se dirige à assembleia; o presidente palestino Mahmoud Abbas participa por videoconferência após os EUA negarem seu visto.
- La Nación também menciona uma reunião bilateral entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping para falar sobre inteligência artificial.
IA e riscos comparados ao nuclear
A CNN Brasil destaca que Guterres comparou os riscos da inteligência artificial aos desafios das armas nucleares durante a Guerra Fria, defendendo que países adotem mecanismos de cooperação para evitar catástrofe. Ele afirmou que até os criadores da IA estão dizendo que estão ficando 'cegos' diante dela e que o perigo está na 'tecnologia sem responsabilização, capacidade sem supervisão e tomada de decisões sem transparência'.
Segundo a mesma fonte, o secretário‑geral pediu que os países que lideram a revolução tecnológica compartilhem informações sobre riscos emergentes, cooperem em testes e avaliações e estabeleçam salvaguardas comuns. Ele apontou a ONU como o único espaço onde todos podem participar da definição do futuro da tecnologia, citando o Pacto Digital Global e o Painel Científico Internacional Independente sobre IA como iniciativas nesse sentido.

- Guterres defendeu que crianças não se tornem cobaias de sistemas não regulamentados.
- Ele declarou que 'robôs assassinos não devem ter lugar no nosso futuro'.
- A IA, segundo ele, está 'remodelando os Estados' e alterando relações econômicas, políticas e sociais.
Reformas da ONU e a sucessão de Guterres
La Nación observa que, apesar de 193 Estados membros terem acordado um amplo pacote de reformas, incluindo a modernização do Conselho de Segurança, a implementação é difícil de ser realizada. O texto menciona que o segundo mandato de cinco anos de Guterres termina em 31 de dezembro e que ainda não surgiu um sucessor claro, gerando especulações nos bastidores sobre quem dirigirá as Nações Unidas nos próximos anos.
A mesma fonte acrescenta que, pelos termos do acordo com os EUA para sediar a organização, Washington está obrigado a permitir que diplomatas de todos os países membros participem das reuniões, ao mesmo tempo em que destaca quais líderes não comparecerão presencialmente.


