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Nobel Ressa alerta: limite a IA para salvar autonomia

Maria Ressa alerta que, sem limites imediatos à IA, a humanidade perde autonomia; cita risco de US$ 18 bilhões na Meta e pede leis urgentes.

16 de set., 01:11 atualizada 16 de set., 06:53 · v2 19 fontes · 12 países Segurança
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Mão de robô interagindo com tela mostrando símbolos de inteligência artificial Foto: Tara Winstead / Pexels

Maria Ressa, Nobel da Paz de 2021 e co‑presidente do painel científico da ONU sobre IA, diz que, sem limites imediatos ao avanço da inteligência artificial, a humanidade corre o risco de perder sua autonomia; ela cita processos nos EUA que podem levar a Meta a pagar até US$ 18 bilhões nos próximos dez anos e afirma que o momento é crítico, alertando que, se não agirmos agora, a situação pode escapar do nosso controle.

As tres ondas da IA segundo Maria Ressa

Na primeira onda, as redes sociais prenderam a atenção, aprofundaram a polarização e isolaram as pessoas.

Na segunda onda, a tecnologia passou a hackear a biologia humana pela intimidade, com chatbots que simulam proximidade afetiva e exploram a necessidade de conexão.

Na terceira e atual onda, a IA agente e multiagente inclui modelos avançados que não apenas imitam o comportamento humano, mas agem em nosso lugar, executando tarefas e tomando decisões sem intervenção direta das pessoas.

Propostas para conter os riscos

Primeiro passo é responsabilizar as empresas de tecnologia pelos danos que causam, citando acordos judiciais nos EUA que podem levar a Meta a pagar até US$ 18 bilhões ao longo da próxima década e limites rigorosos ao uso do Facebook e do Instagram por adolescentes.

Ressa defende leis urgentes que regulamentem o avanço da IA, afirmando que pedir regulamentação não é questão de liberdade de expressão, mas de segurança pública.

Ela elogiou as iniciativas da União Europeia e da Austrália, que estabeleceram limites de idade para o uso das redes sociais, mas alertou que tais medidas não resolvem a falha fundamental: as próprias ferramentas desenvolvidas pelas grandes tecnológicas também são viciantes para usuários adultos.

Ilustração de cérebro humano conectado a linhas de circuito representando IA
Foto: meo / Pexels

Para enfrentar esse vício, sugeriu que os recursos que geram dependência sejam removidos das plataformas, não apenas para adolescentes, mas para todos os usuários, independentemente da faixa etária.

Também propôs que grupos de interesse público criem canais de comunicação descentralizados e de código aberto, como o projeto Rappler Communities, lançado em 2023, que utiliza o protocolo Matrix para conectar redatores e leitores sem depender das grandes empresas de tecnologia.

Críticas ao argumento de competencia com a China e comparacao de salvaguardas

Ressa rejeitou a alegação de que regular a IA prejudicaria a competição tecnológica com a China, descrevendo esse argumento como uma boa manobra de relações públicas.

Ela apontou que, na prática, a China impõe mais salvaguardas aos seus cidadãos do que o Vale do Silício oferece ao resto do mundo, citando como exemplo a versão chinesa do TikTok, que possui restrições de idade.

Também foi mencionado que alguns críticos, incluindo o ex‑presidente dos Estados Unidos Donald Trump, têm chamado a atenção para o risco de perder a corrida da IA diante da China, posição que Ressa descartou como "good spin".

Apurado em 19 fontes

Rappler (Filipinas) · SowetanLIVE (África do Sul)

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