Elon Musk disse que unir Tesla e SpaceX em uma fusão avaliada em US$ 3,5 trilhões é uma boa ideia, durante uma conferência para investidores da SpaceX após os resultados do terceiro trimestre. As duas empresas já constituíram comitês de diretores independentes para analisar a viabilidade da operação, mas o bilionário afirmou que ainda não há garantia de que consigam fechar um acordo.
Musk se afasta das negociações
Musk não participa diretamente das conversas entre os comitês, já que preside ambas as empresas e mantém participações acionárias expressivas em cada uma delas. Ele detém mais de 80% do poder de voto da SpaceX, o que torna o consenso entre os acionistas dessa empresa relativamente simples de obter. Já com a Tesla a dinâmica é outra: qualquer fusão exigiria o apoio de acionistas representando 50% das ações, e Musk possui apenas cerca de 20% do automóvel. O empreendedor classificou esse requisito como um obstáculo elevado.
Depois de declarar sua abertura à fusão, os preços das ações reagiram de forma distinta no mercado amplo: a SpaceX subiu 8%, enquanto a Tesla ganhou quase 2%.
Analistas veem lógica, mas cobram prêmia
Para Dan Ives, da Yorkville Ives Co, a combinação faz sento estratégico tanto para a SpaceX quanto para a Tesla, mas tudo dependerá do valor proposto aos acionistas. Como Musk detém apenas 20% das ações da montadora, a aprovação exigirá uma proposta atrativa o suficiente para convencer a minoria. Ives estimou que a ação da Tesla precisaria ser reavaliada em torno de US$ 550, o que representa um aumento de 47% em relação ao último fechamento conhecido.
Justin Parmar, da Fortuna Investments, também apontou benefícios na eventual fusão, destacando que o fluxo de caixa gerado pelo negócio automotivo — especialmente com a expectativa de melhoria após o lançamento dos robô-táxis — pode servir como fonte de financiamento para a SpaceX, ampliando os recursos disponíveis para projetos de exploração espacial e desenvolvimento de foguetes.

Onde a cobertura diverge
A imprensa italiana enfatizou a dimensão estratégica da operação, apresentando a inteligência artificial como o eixo central da fusão entre os dois gigantes. Já veículos russos e cazaques focaram no impacto de mercado, com maior atenção às projeções de preços de ações, ao poder de voto de Musk e aos obstáculos regulatórios.
Em todos os relatos, os mesmos elementos centrais foram corroborados: valor da operação, criação dos comitês e resistência histórica da Tesla em relação a fusões. Mas a ênfase dada a fatores técnicos versus financeiros variou conforme o perfil editorial de cada publu.
O que ainda não foi divulgado
- Condições específicas da proposta de fusão
- Calendário estimado para a negociação entre as partes
- Declaração formal da diretoria das duas empresas
- Posicionamento dos órgãos reguladores envolvidos
- Impacto esperado sobre os planos de negócios de cada companhia


