Executivos da Moonshot negociam acordo com oRecurrent.ai para resolver uma disputa acionária antes do planejado IPO em Hong Kong, enquanto a startup chinesa de IA avalia seu valor em US$ 50 bilhões e planeja abrir o IPO no início de 2027.
Origem e natureza da disputa
A polêmica gira em torno de acusações feitas por investidores doRecurrent.ai, que alegam o CEO Yang Zhilin e o CTO Zhang Yutao tenham fundado a Moonshot sem autorização do conselho da empresa, teriam dado informações erradas a potenciais investidores e teriam lucrando em cima da estrutura montada peloRecurrent. Tudo isso em meio a uma arbitragem aberta em Hong Kong desde 2024.
Segundo fontes, outras acusações incluem atos não aprovados internamente e uma suposta falha na transparência durante o crescimento da Moonshot. O conflito, que tem aparecido em documentos judiciais da região, coloca em xeque a limpeza do passado da empresa — justamente algo que os mercados exigem em um processo de IPO.
ORepresentative daMoonshotnão comentou diretamente sobre as acusações, mas uma fonte próxima à empresa disse que as conversas para um acordo andam em cima do pé de mesa. A firmaMinterEllison, que representa Yang e Zhang Yutao, afirmou em novembro de 2024 que o caso não tem respaldo legal, chamando-o de sem fundamento.
Impacto no plano de IPO
A Moonshot já entregou um pedido de IPO em Hong Kong em setembro de 2026, buscando atrair capital enquanto tenta capitalizar o sucesso dos modelos de IA Kimi no mercado. Com uma valoração projetada em torno de US$ 50 bilhões, o desembarque na bolsa era visto como um dos maiores eventos do setor de tecnologia chinesa fora da China continental.

Mas a disputa com oRecurrent pode atrasar ou complicar a operação. Fontes consultadas pela Reuters dizem que, se o caso não for resolvido, questões jurídicas e de governança podem pescar o processo perante os reguladores de Hong Kong, além de assustar investidores que já mostraram interesse. A bolsa costuma exigir clareza sobre pendências legais antes de aprovar uma listagem.
No The Economic Times, especialistas em mercado financeiro apontam que, mesmo com um acordo, a Moonshot precisará detalhar bem os termos da negociação e possíveis pagamentos para que a comissão reguladora da cidade veja tudo como resolvido. Enquanto isso, investidores ficam de margem.
Reações e silêncio das partes
A Hong Kong Stock Exchange e a Comissão de Valores Mobiliários e Futuros de Hong Kong não fizeram declarações oficiais sobre a situação. Da mesma forma, a Comissão de Valores da China e a Administração do Ciberespaço da China não responderam a pedidos de esclarecimento feitos por outras publicações.
A própria Moonshot e oRecurrent.ai permaneceram em silêncio quando questionadas sobre o andamento das negociações. A única reação veio por meio da assessoria de Yang e Zhang Yutao, que repetiu a tese de que o processo não tem base legal. Para outras partes envolvidas, o foco agora é ver se o acordo andará rápido o suficiente para não atrapalhar o caminho da empresa até a bolsa.


