Novos documentos judiciais revelam que executivos da Microsoft e da OpenAI temiam, internamente, que a coleta de notícias para treinar modelos de IA equivalia ao maior furto de trabalho da história humana, segundo a Ars Technica e o New York Post.
Alertas internos da Microsoft e da OpenAI
Brent Hecht, diretor de ciência aplicada da Microsoft, escreveu em um memorando de 2023 que a raspagem de artigos jornalísticos para treinar IA representa um roubo sem precedentes. Para Hecht, a prática não apenas ridiculariza a ideia de uso justo, mas alimenta um ciclo vicioso que pode levar ao colapso tanto dos modelos quanto da própria web. Já Nick Turley, responsável pelo ChatGPT na OpenAI, classificou os produtos como amplamente substitutivos, colocando em risco a sobrevivência dos editores.
Um documento interno da Microsoft descreveu um ‘doom loop’ que ameaçaria a cadeia de suprimentos de conteúdo da empresa — os próprios jornalistas cujas notícias eram usadas para treinar os modelos.

Impacto medido no tráfego de notícias
Documentos citados pela Ars Technica indicam que a Microsoft observou quedas entre 83% e 93% nas taxas de cliques para o New York Times e o Daily News quando comparou a busca tradicional da Bing com a versão alimentada por IA. Outras publicações sofreram reduções entre 51% e 94%. Esses dados sustentam a tese de que os chatbots estão desviando leitores das fontes originais de notícias.
Hecht também reconheceu em outro documento que quase ninguém imaginava que seu trabalho seria usado dessa forma — e que ninguém é compensado por isso.


