O diretor-geral da MI5, Sir Ken McCallum, alertou que o Reino Unido entrou numa nova era de segurança nacional, com ameaças de estados como Rússia, Irã e China em níveis não vistos desde a Guerra Fria e advertiu que terroristas podem usar inteligência artificial para desenvolver bioweapons ou melhorar ataques.
Ameaças de estados hostis
Segundo The Independent, McCallum afirmou que as ameaças provenientes de Rússia, Irã e China atingiram patamares não registrados desde o período da Guerra Fria, levando o serviço a dedicar mais recursos ao enfrentamento de riscos estatais do que durante aquele conflito. Ele disse que o volume de casos de ameaças estatais na MI5 quadruplicou nos últimos dez anos.
The Straits Times acrescentou que o chefe da MI5 descreveu a Rússia como o "agressor número um", ressaltando que Moscou vem expandindo a guerra híbrida abaixo do limiar que provocaria uma resposta direta da OTAN. Após a expulsão de mil oficiais de embaixadas desde a invasão da Ucrânia, a Rússia passou a depender de voluntários locais e de proxies criminosos para agir no Reino Unido.
O mesmo veículo singapurense informa que o Irã também utiliza proxies criminosos para atingir adversários, organizações de mídia iraniana e interesses israelenses em solo britânico. McCallum afirmou que, no último ano, mais de 50 prisões no Reino Unido estiveram ligadas a operações apoiadas pelo Irã, muitas delas tendo como alvo comunidades judaicas, e que Teerã passou a mirar alvos mais duros, como instalações militares.
Ambas as fontes citam a China como parte do conjunto de ameaças estatais, embora sem detalhar operações específicas.
Uso da IA por terroristas
Segundo The Independent, a MI5 criou um Centro de Avaliação de Ameaças de IA para estudar como tecnologias emergentes podem ser exploradas por terroristas e por Estados hostis para conduzir guerra ou desenvolver novas armas biológicas.
The Straits Times cita McCallum dizendo que a inteligência artificial está "superaquecendo" o confronto entre atacantes e defensores no campo da cibersegurança, permitindo a produção de propaganda e materiais personalizados para indivíduos. A agência já identificou potenciais agressores usando a IA para aprimorar reconhecimento e metodologias de ataque.

Ele acrescentou que drones habilitados com IA representam um novo desafio e que a maior preocupação quanto ao mau uso da IA é a possibilidade de terroristas criarem bioweapons ou mesmo novos patógenos. McCallum ainda alertou que a humanidade nunca teve de enfrentar um ator cuja inteligência supera a nossa, situação que exige atenção séria.
Contexto do terrorismo no Reino Unido
The Independent informa que, em abril de 2026, o nível nacional de ameaça terrorista foi elevado para "severo", indicando que um ataque nos próximos seis meses é considerado altamente provável. McCallum afirmou que Al‑Qaeda e Estado Islâmico continuam a inspirar planos e que a MI5 ainda responde a tentativas de ataques de grande escala.
Segundo o mesmo veículo, o aumento mais significativo no último ano ocorreu em casos onde queixas extremas contra imigração e contra muçulmanos evoluíram para intenção terrorista. Ele deu como exemplo a investigação de um jovem de 13 anos radicalizado por ideologia de extrema direita, cuja inteligência compartilhada pela MI5 permitiu que um parceiro internacional frustrasse um ataque letal em seu território.
The Straits Times acrescenta que, apesar das preocupações com a interferência russa no referendo do Brexit de 2016, McCallum classificou a atividade de trolls e bots russos online como "comparativamente insignificante".
O que ainda não foi divulgado
O material não especifica a data exata do discurso anual de McCallum nem o número preciso de prisões relacionadas a operações iranianas além de "mais de 50". Também não detalha quais são as tecnologias específicas de IA sendo testadas pelos terroristas nem o orçamento destinado ao novo Centro de Avaliação de Ameaças de IA.


