Segundo o Diario El Salvador, as autoridades mexicanas desmantelaram uma rede de extorsão que usava inteligência artificial para clonar vozes de altos funcionários e extorquir políticos, servidores públicos e empresários. A operação prendeu um ex‑secretário de Finanças de Michoacán, sua esposa, seus filhos e um escolta, todos acusados de participar do esquema.
Detenção da família e acusações
Segundo o Diario El Salvador, o ex‑secretário Luis Miranda Contreras foi detido junto com sua família em uma operação coordenada pela secretaria de Seguridad pública do México. A família, originária do Estado do México, teria criado uma estrutura criminosa que se passou por membros da Suprema Corte, governadores, presidentes municipais e servidores da Presidência da República. A lei mexicana impede a divulgação dos nomes completos dos acusados, mas a imprensa local identificou o líder como Luis Miranda Contreras, que exerceu o cargo de secretário e tesouro entre 2012 e 2013 e já havia sido condenado por peculado.
Como a esquema funcionava
Segundo o Diario El Salvador, o grupo entrava em contato primeiro se passando por um secretário de algum alto funcionário, pedindo um número pessoal e avisando que o superior ligaria em seguida. Pouco depois, a suposta autoridade – um ministro, governador ou presidente municipal – ligava e, usando a voz clonada por IA, exigia pagamentos, cargos no governo ou a concessão de contratos a sócios, alegando obedecer a "instruções superiores". A polícia disse que, para tornar o engano mais convincente, utilizavam ferramentas de inteligência artificial capazes de imitar a fala de políticos e empresários alvos. A atividade teria começado em 2021 e rendido "cuantiosos recursos" aos envolvidos, embora o valor exato não tenha sido divulgado.

Divulgação pelas autoridades e redes sociais
Segundo o Diario El Salvador, a secretaria de Seguridad anunciou na quinta‑feira o desmantelamento da quadrilha e afirmou que Contreras e sua família se fizeram passar por ministros da Suprema Corte, governadores, presidentes municipais (alcaldes) e servidores públicos da Presidência da República. A autoridade acrescentou que, para robustecer o engano, utilizavam IA para imitar a voz dos personagens que estavam sendo suplantados. O comunicado foi acompanhado por uma publicação no Twitter do jornalista Nacho Lozano, que compartilhou um vídeo mostrando como a família operava antes da detenção. A família é conhecida pelo hashtag #Edomex, referência ao Estado do México onde residia.
Impacto e alerta internacional
Segundo o Diario El Salvador, entre as vítimas estavam políticos, funcionários públicos e empresários que foram pressionados a transferir recursos ou a conceder favores. O esquema fazia uso de duas etapas: primeiro contato para obter um número pessoal e, em seguida, a chamada da suposta autoridade solicitando pagamentos, postos governamentais ou contratos. A polícia destacou que esse tipo de fraude tem se ampliado com o avanço da inteligência artificial. Nos Estados Unidos, perdas semelhantes por clonagem de voz já ultrapassaram 890 milhões de dólares, conforme indicado em relatórios citados pela autoridade mexicana.
O que ainda não foi divulgado
- O número exato de vítimas identificadas na operação mexicana.
- O montante total de dinheiro obtido pela quadrilha.
- Os detalhes técnicos das ferramentas de IA usadas para clonar as vozes.


