Meta chegou a considerar um investimento de até US$200 bilhões em inteligência artificial antes de ter qualquer confirmação de que seus novos modelos funcionariam, segundo relato do CEO Mark Zuckerberg.
Incerteza do investimento
Segundo a Business Insider, Mark Zuckerberg contou no podcast Cheeky Pint, apresentado por John Collison, que, no final de 2025, a Meta estava disposta a desembolsar até US$200 bilhões em inteligência artificial antes de ter qualquer prova de que seus novos modelos funcionariam. Ele lembrou que, ao conversar com o chefe de IA Alexandr Wang, perguntou se ele tinha certeza de que o investimento daria retorno, à qual Wang respondeu que via atualizações de pesquisa encorajadoras, mas que o sucesso ainda estava longe de ser certo.
O Bloomberg Businessweek e o Quartz apontaram que o próprio Zuckerberg admitiu não ter certeza de que o aporte de US$200 bilhões se pagaria, mostrando que a decisão foi feita sob significativa ambiguidade sobre o futuro da tecnologia.
Alertas da CFO
De acordo com a Business Insider, durante um encontro de executivos no Havaí, Wang disse que a diretora financeira Susan Li o abordou diversas vezes, alertando que, se o projeto de IA não desse certo, as consequências seriam “muito, muito ruins em termos financeiros”. Ele acrescentou que Li repetiu o aviso várias vezes, deixando claro que a liderança da Meta estava plenamente consciente do potencial prejuízo caso a aposta falhasse.
Impacto nas projeções de gastos
A mesma publicação observa que os gastos de capital da Meta têm sido consistente e altos nos últimos trimestres, gerando preocupação entre acionistas. A orientação mais recente da companhia para 2026 coloca as despesas de capital, incluindo os pagamentos principais de leasing financeiro, entre US$130 bilhões e US$145 bilhões.
Projeções anteriormente vistas pela Business Insider revelam que os analistas da Cantor Fitzgerald esperam que o total de desembolsos atinja US$200 bilhões somente em 2027. Depois do relatório de lucros de abril, apesar de resultados sólidos, as ações da Meta recuaram mais de 6% no comércio após o fechamento, após a empresa ter elevado sua previsão anual de gastos para a faixa de US$125 bilhões a US$145 bilhões, sinalizando que o mercado impõe limites à expansão de custos.

Visão interna de risco
Na mesma fonte, Wang descreveu o cenário como “um monte de risco” e Zuckerberg completou dizendo que, mesmo que a aposta em IA não tivesse sucesso, a empresa ainda dispunha de outras aplicações produtivas para a capacidade de computação que teria adquirido.
A Business Insider também ressalta que Zuckerberg não definiu um prazo específico nem detalhou exatamente o que o aporte de até US$200 bilhões cobriria, deixando aberta a questão de como os recursos seriam distribuídos ao longo dos anos.
Ela ainda destaca que, caso o investimento de US$200 bilhões seja realizado, ele代表 um valor significativamente acima do limite superior da orientação de capex para 2026, fixado em US$145 bilhões, mostrando o tamanho relativo do comprometimento frente ao planejamento corrente.
A publicação também aponta que, após o aumento da faixa de gastos anual para US$125‑US$145 bilhões, os investidores reagiram com cautela, já que o movimento foi seguido pela queda de mais de 6% nas ações após o fechamento, indicando que há uma sensibilidade elevada a qualquer elevação futura dos custos. Isso mostra que o mercado está avaliando o trade‑off entre agressividade em IA e disciplina financeira.


