Meta Platforms elevou a previsão de gastos em inteligência artificial para 2026, agora entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões, e anuncou a criação de uma nova classe de ações ordinárias sem direito a voto, segundo relatos da imprensa internacional compilados pela Capital.gr. A medida amplia a já ambiciosa aposta da empresa em IA, enquanto a nova estrutura acionária visa captar recursos sem diluir o controle de Mark Zuckerberg, seu fundador e CEO.
Previsões e resultados trimestrais
A projeção de despesas foi ajustada para cima em relação aos US$ 130 bilhões previstos anteriormente, com o limite inferior da faixa também revisado. O ajuste foi anunciado durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre, período em que a receita alcançou US$ 64,6 bilhões, superando as estimativas de US$ 63,37 bilhões da Wall Street, conforme dados compilados pela LSEG.
O lucro por ação foi de US$ 3,83, acima da projeção de US$ 3,57, totalizando US$ 9,86 bilhões no trimestre, mais de três vezes e meio o registrado entre julho e setembro de 2025. Para o quarto trimestre, a Meta projetou receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões, contra estimativa média de US$ 73,73 bilhões.
Estrutura de capital e controle acionário
A nova classe de ações C será distribuída aos acionistas atuais como um dividendo em ações, na proporção de uma ação C para cada ação Classe A e Classe B em circulação, operação que equivale a um desdobramento de ações dois para um. As negociações dos novos papéis devem começar em janeiro de 2027.
De acordo com a Valor Econômico, a nova classe permitirá à empresa captar recursos, remunerar funcionários, realizar aquisições e atender outras necessidades corporativas sem diluir o controle de Zuckerberg. O Globo destacou que as ações da Meta subiram mais de 3% nas negociações após o anúncio dos resultados.

Divergências na cobertura internacional
A cobertura do tema revela ênfases distintas entre os veículos. A imprensa brasileira, como O Globo, enfatizou a narrativa de confiança de Zuckerberg, que afirmou que os investimentos em IA estavam pagando dividendos e destacou o desempenho do agente de IA da empresa, referido como Muse, utilizado por mais de 10 milhões de pessoas nos EUA e no Canadá nas primeiras seis semanas.
Já a Valor Econômico focou no aspecto de governança corporativa, apresentando a criação da nova classe de ações como uma reformulação estrutural voltada à flexibilidade financeira e à proteção do controle fundador, destacando que a transformação exigida pela IA demanda expansão de data centers e capacidade computacional.
A Capital.gr, por sua vez, tratou a notícia como parte do cenário global de investimentos em tecnologia, reproduzindo a informação sem aprofundar nos detalhes corporativos brasileiros.
O que ainda não foi divulgado
Não foram divulgados os termos exatos da transferência de ações nem os detalhes operacionais do lançamento da nova classe no mercado de capitais.


