O Comitê de Supervisão de Conteúdo da Meta, conhecido como Oversight Board, afirmou que a empresa falhou em padrões de transparência capazes de afastar suspeitas de interferência eleitoral na disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O órgão, composto por especialistas independentes de diferentes países, também criticou a falta de encaminhamento de casos delicados a revisores especializados.
Falta de transparência e falhas recorrentes
Segundo o documento publicado nesta terça-feira (20), a Meta não disponibiliza métricas públicas que avaliem de forma transparente a eficácia de suas medidas de fiscalização eleitoral. Embora a empresa comunique regularmente dados como o número de anúncios armazenados ou contas removidas, o conselho considera insuficiente o compartilhamento de informações sobre a efetividade das ações de moderação.
O comitê destacou ainda que as falhas na moderação de conteúdo eleitoral costumam se manifestar de duas formas: por aplicação excessiva das regras, que suprime a liberdade de expressão política, ou por aplicação insuficiente, que compromete a integridade eleitoral. No caso brasileiro, o enquadramento seria o primeiro.
Casos de Lula deveriam ter id para equipe especializada
O texto menciona especificamente que os problemas que impactaram a produção e divulgação de conteúdos de contas relacionadas a Lula representam uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de revisores especializados. O conselho reforça que isso evidencia a necessidade de mais transparência e consistência nas práticas da empresa durante eleições.

Contexto internacional e reações paralelas
O comunicado também aborda a remoção de posts do movimento “No Kings”, que mobilizou eleitores para voto antecipado contra Donald Trump nos Estados Unidos. Organizadores reclamaram da atuação da Meta, reforçando a crítica do comitê sobre a promessa de 2025 de permitir maior liberdade de expressão e reduzir erros eleitorais.
A declaração do Oversight Board sai um dia após manifestantes protestarem na sede da Meta em São Paulo sob o lema “Meta não se meta”, questionando supostas restrições ao perfil de Lula. Na terça-feira, a empresa informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trata de forma igualitária os conteúdos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, apresentando documentação comprovando o cumprimento de determinação do ministro Marco Aurélio Bellizze.


