A Meta planeja captar até US$ 95 bilhões com a venda de ações, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira. A captação visa financiar a expansão da infraestrutura de inteligência artificial da empresa, incluindo a construção de novos data centers e o desenvolvimento de modelos de IA avançados.
Oferta inicial e programa de venda no mercado aberto
A empresa está oferecendo cerca de US$ 35 bilhões em ações ordinárias e preferenciais, segundo o comunicado. Além disante, a Meta pretende levantar até aproximadamente US$ 60 bilhões por meio de um programa de venda de ações no mercado aberto, composto pelas ações Classe C sem direito a voto que a empresa planeja emitir.
Reação do mercado e desempenho das ações
Nas negociações do pré-mercado em Nova York, as ações da Meta reduziram as perdas iniciais e passaram a subir 1,2%, chegando a US$ 650 cada. Apesar disso, os papéis acumulam queda de 2,7% no ano até o fechamento de sexta-feira.
Expansão de IA e projeções de gastos
O anúncio da captação ocorre em meio a uma reformulação da estratégia de IA liderada por Mark Zuckerberg, que inclui a contratação agressiva, lançamento de novos produtos como o agente pessoal de IA chamado Muse e o modelo Muse Wonder, e um compromisso de investir centenas de bilhões de dólares na infraestrutura necessária. A Meta elevou o limite mínimo de sua previsão de despesas de capital para 2026, de US$ 130 bilhões para US$ 135 bilhões, mantendo o teto em US$ 145 bilhões. A empresa também assumiu compromissos de gastos futuros de aproximadamente US$ 825 bilhões, impulsionados principalmente por investimentos em data centers e computação em nuvem.

Pressão no caixa e desempenho financeiro
No terceiro trimestre, a Meta registrou um fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões, seu primeiro resultado negativo nesse indicador em mais de dez anos. Na mesma etapa do ano anterior, o fluxo havia sido positivo em US$ 10,63 bilhões. Em 30 de setembro, a empresa mantinha US$ 82,45 bilhões em caixa, títulos negociáveis e equivalentes, contra US$ 80,92 bilhões em dívida de longo prazo. Apesar da pressão financeira, a receita do terceiro trimestre chegou a US$ 64,60 bilhões, superando as projeções dos analistas. Para o quarto trimestre, a Meta estima uma receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões.
Interesse de fornecedores de chips
Nvidia, AMD e Broadcom demonstraram interesse em comprar até US$ 5 bilhões em ações ordinárias Classe A da Meta incluídas na oferta. A segunda fase das vendas depende do início das negociações das novas ações Classe C, previsto para o primeiro trimestre de 2027.
Onde a cobertura diverge
O Globo noticiou a Meta como uma empresa "recorrendo a investidores para obter apoio na corrida pela liderança no desenvolvimento da inteligência artificial", com foco no anúncio da oferta de ações e na competição com OpenAI e Anthropic. Já o Olhar Digital destacou o impacto financeiro da expansão, convertendo os valores para reais (R$ 475 bilhões) e enfatizando o déficit do fluxo de caixa livre e os gastos futuros de US$ 825 bilhões. Ambas as fontes confirmam a mesma operação, mas com ênfases distintas: uma voltada para a estratégia de IA e a outra para a pressão sobre o caixa da empresa.
O que ainda não foi divulgado
- Detalhes sobre a data exata de início das negociações das ações Classe C, prevista para o primeiro trimestre de 2027.
- Quantidade específica de ações que cada investidor (Nvidia, AMD, Broadcom) pretende adquirir.
- Impacto da captação sobre a governança da empresa, especialmente com a emissão de ações sem direito a voto.


