Kristalina Georgieva, diretora do FMI, alertou que a economia mundial enfrenta três pressões principais: o encarecimento da energia, o aumento recorde da dívida pública e a rápida expansão da inteligência artificial. Ela destacou que, apesar dos riscos, a IA pode contribuir com até 0,5 ponto percentual ao crescimento anual global se for bem aproveitada.
Energia e dívida como pressões principais
Segundo a Al Eqtisadiah, Georgieva afirmou que os preços do petróleo mantêm-se perto de 100 dólares o barril e que o gás natural do Golfo ainda sofre com a escassez de capacidade de transporte de GNL, com o trânsito pelo Estreito de Ormuz sob ameaça. A diretora do FMI observou que os contratos futuros do Brent sinalizam preços elevados até 2027, mesmo que o conflito regional se encerre. A Atheer (הר) confirma a cifra de 100 dólares o barril para o petróleo e aponta que a fraca capacidade de refino acrescenta cerca de 100 dólares ao spread de diesel. Em relação à dívida, a Al Eqtisadiah nota que o endividamento global se aproxima dos níveis mais altos desde a Segunda Guerra Mundial e deve ultrapassar 100% do PIB em breve; a Atheer (הר) estima que esse marco será superado antes de 2030, com os rendimentos de títulos soberanos de 10 anos nos EUA, Alemanha e Japão no maior patamar desde 2007, 2009 e 1996, respectivamente. Ambas as fontes ressaltam que o aumento dos juros eleva o custo do serviço da dívida enquanto os governos lidam com pressões orçamentárias, recomendando que economias emergentes ampliem suas reservas fiscais e de câmbio e que países de baixa renda evitem cortes em gastos essenciais.
IA: oportunidade de crescimento e riscos de desigualdade
A Al Eqtisadiah explica que a inteligência artificial se tornou fator crucial no desempenho econômico, com o investimento global em IA como porcentagem do PIB podendo igualar ou superar os níveis registrados durante a construção de ferrovias, redes elétricas e telecomunicações. A fonte destaca que produtos e tecnologias ligados à IA respondem por mais de um décimo do comércio mundial de bens, favorecendo Estados Unidos, China, Índia e diversos países asiáticos. O FMI, citado pela mesma fonte, projeta que, se bem aproveitada, a IA pode acrescentar até 0,5 ponto percentual ao crescimento anual global a longo prazo, desde que haja infraestrutura digital, preparação da força de trabalho, regulamentação adequada e acesso ampliado à tecnologia em todo o mundo. Entretanto, a Al Eqtisadiah adverte que a euforia em torno da IA pode agravar as desigualdades internacionais, elevar a demanda por energia e expor riscos ao mercado de trabalho, à cibersegurança e à estabilidade financeira. A Atheer (הר) complementa, afirmando que a pressão sobre empresas de IA para entregar ganhos expressivos de produtividade e lucro — justificando avaliações altas — pode levar a decepções, e que a expansão da IA também intensifica as pressões inflacionárias atuais.
Divergências entre as visões saudita e omanesa
Enquanto a Al Eqtisadiah situa as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial na Tailândia na semana seguinte ao discurso de Georgieva, a Atheer (הר) indica que os encontros ocorrerão em Bangkok. A fonte saudita enfatiza a participação da Ásia-Pacífico no PIB global, que subiu de 25% em 1991 para 43% hoje, e destaca o potencial positivo da IA para o crescimento. Já a fonte omanesa dá mais peso aos efeitos inflacionários combinados dos choques energéticos e da demanda impulsionada pela IA, citando os juros altos dos bancos centrais dos EUA, da zona do euro e do Japão como “muito adequados” e mencionando a possibilidade de um aperto monetário cauteloso em alguns países. Essas nuances mostram como o mesmo conjunto de fatos pode ser lido com focos diferentes.


