JPMorgan e Goldman reduziram a exposição ao empréstimo de US$ 5 bilhões da Volta AI, segundo o Mint.
Estrutura do empréstimo com risco limitado pelos bancos
JPMorgan Chase e Goldman Sachs lideram uma oferta de empréstimo para a Volta Infrastructure, uma cloud de IA recém-fundada, mas optaram por não assumir o total do pacote. Os bancos só sottoscrevem o empréstimo a termo de US$ 1,3 bilhões destinado ao pagamento de aluguel do data center. O restante — US$ 3,7 bilhões para a compra de GPUs — ficou de fora do garantimento bancário, segundo fontes ouvidas pelo Mint.
Essa divisão é incomum no mercado. Normalmente, os bancos assumem o empréstimo inteiro para garantir que o dinheiro será captado independentemente de quantos investidores interessem. A estratégia de reduzir a exposição faz parte de uma postura mais cautelosa, após as perdas de 2022, quando o rápido aumento das taxas de juros deixou dívidas sem comprador presas nos balanços dos bancos.
O empréstimo da Volta oferece um rendimento de cerca de 11%, um dos mais altos do mercado de dívida alavancada movido por IA. E o deal é não ratingado, o que afasta os maiores compradores desse tipo de dívida, como CLOs — fundos que compram dívidas corporativas para revender.
Representantes de JPMorgan, Goldman e Volta recusaram comentários. O prazo para os interessados se comprometerem com o financiamento é 14 de outubro.
Volta AI financia data center na Noruega com chips da Nvidia
Os US$ 5 bilhões do empréstimo são divisos entre duas grandes despesas. O primeiro bloco — US$ 1,3 bilhão — paga o aluguel de um data center na Noruega, operado em parcerça com a Bitdeer, uma mineradora de Bitcoin que administra instalações de dados. O segundo — US$ 3,7 bilhões — compra aproximadamente 36 mil GPUs da Nvidia.
A Anthropic, uma das empresas por trás do modelo de linguagem Claude, já assinou um contrato de seis anos para reservar capacidade computacional no local, segundo o Mint.

A Volta é uma neocloud — um provedor de infraestrutura de IA que aluga acesso a chips e servidores, como CoreWeave, Lambda e Crusoe também fazem. A startup foi fundada este ano por Ricard Boada e Sofia Gumuzio, ex-executivos da área de infraestrutura do Brookfield Asset Management.
Bancos evitam repetir perdas de 2022 com empréstimos para IA
A postura de cautela dos bancos com dívida ligada a IA faz sentido no contexto atual. Em 2022, o rápido aumento das taxas de juros paralisou o mercado e deixou dívidas não vendidas presas no balanço dos bancos, gerando prejuízos.
Agora, com a vala de IA aquecendo o setor, os bancos ainda estão atentos. A Volta paga uma taxa elevada — 11% — para atrair investidores, mas o fato de o empréstimo ser não ratingado complica a captação, já que os grandes compradores tradicionais ficam de fora.
Outras plataformas de neocloud conseguiram financiamento, mas com custos menores. A de Volta é uma das mais caras vistas no mercado de dívida alavancada ligada à IA.

