O governo japonês anunciou a criação de um novo sistema de certificação de segurança para data centers e serviços de nuvem, conforme reportado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap News, com base em informações divulgadas pelo jornal Nikkei. A iniciativa, que entra em vigor a partir de 2027, visa garantir que empresas que manuseiam informações pessoais sensíveis, como instituições financeiras, hospitais e centros de pesquisa, utilizem exclusivamente provedores devidamente certificados. A medida é interpretada como uma forma indireta de limitar a participação de empresas com vincular com a China no setor de infraestrutura digital.
Requisitos e escopo da certificação
O sistema exigirá que data centers localizados no Japão e provedores de serviços em nuvem que mantenham servidores no país passem por uma avaliação rigorosa dos procedimentos de segurança. Entre os critérios estão a transparência sobre a origem das empresas, a implementação de protocolos robustos de gestão de riscos para prevenir vazamentos de dados, bem como a rastreabilidade das cadeias de suprimentos, incluindo a origem dos equipamentos utilizados.
Contexto geopolítico e preocupações nacionais de segurança
Segundo o Nikkei, a ausência de regulamentação prévia sobre operadoras de infraestrutura crítica abria espaço para que empresas de países considerados de risco, como a China, ganhassem influência sobre a gestão de dados sensíveis. Além disso, há temores de que, sob legislação chinesa, informações armazenadas por empresas com capitais estrangeiros possam ser acessadas diretamente pelo governo de Pequim, expostas a possíveis ameaças cibernéticas. A nova regra também contempla um mecanismo de notificação prévia para empresas que armazenam ou transferem grandes volumes de dados, permitindo que o Estado interrompa atividades consideradas insalubres para a soberania tecnológica nacional.
Mercado da nuvem japonesa sob análise global
A Iniciativa de Certificação de Segurança Digital entra em cena enquanto o setor de data centers e computação em nuvem no Japão enfrenta forte expansão, impulsionada pela crescente demanda decorrente da adoção de inteligência artificial generativa. Apesar do crescimento, o cenário global é dominado por gigantes como Amazon Web Services e Microsoft Azure, enquanto empresas chinesas, como o Grupo Alibaba, vêm ampliando sua presença no continente asiático. O controle sobre a infraestrutura de TI está se tornando um ponto estratégico nas relações internacionais, especialmente entre nações que priorizam a soberania tecnológica.


