O Itaá Unibanco assinou o contrato de compra das ações da NeoSpace A.I. Technologies, startup brasileira de inteligância artificial, em operação avaliada em torno de R$ 2,9 bilhões, segundo comunicado divulgado na CVM na segunda-feira, 26 de outubro de 2026.
A aquisiçȧo segue a relação já existente entre as partes, já que a NeoSpace presta serviços ao banco há quase dois anos, conforme informa a redação do Estadão, que detalha a transação em R$ 2.925 bilhões — figura que converte o valor divulgado em R$ 2,9 bilhão.
Condições e forma de pagamento
A transação será paga em dinheiro, com uma parcela desembolsada no fechamento e o restante quitado em cinco anos, sujeito ao cumprimento de condições precedentes, segundo comunicado do Itaá publicado na CVM. Entre os requisitos está a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central do Brasil (Bacen). A gestão e a condução dos negócios da NeoSpace seguirão autônomas em relação ao Itaú, e a equipe do startup, incluindo o fundador Bruno Pierobon no cargo de CEO, será mantida, conforme apurado pela InvestNews.
Objetivo estratégico para o Itaú
O banco destaca que a aquisição visa fortalecer capacidades proprietárias em inteligência artificial e acelerar a construção de competências consideradas fundamentais para o futuro. A combinação das competências da NeoSpace com os dados, o conhecimento e a escala do Itaú cria condições para desenvolver modelos mais especializados, com aplicações em frentes como crédito, CRM (customer relationship management) e prevenção a fraudes. A operação também está ligada à evolução do assistente de IA generativa do Itaú, chamado ia.i, com a proposta de ampliar a individualização de experiências e oferecer interações mais contextualizadas às necessidades de cada cliente, segundo o comunicado da instituição.

Contexto da startup e histórico
A NeoSpace A.I. Technologies, fundada em 2023, desenvolve modelos que ajudam a identificar padrões e conexões complexas em grandes bases de informação, treinados com dados do próprio Itaú para viabilizar o uso de inteligência artificial generativa em escala no desenvolvimento de soluções para negócios e clientes, conforme informa a Tilt (UOL). O Itaú já era cliente da startup e liderou uma rodada de investimento de US$ 18 milhões no início de 2025. Em 2019, o banco havia adquirido a Zup, outra empresa fundada por Bruno Pierobon e especializada em integração de sistemas com estruturas legadas, segundo apurado pela InvestNews.
O CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, destacou em nota que a meta é posicionar o banco entre as instituições que definirão o próximo capítulo da indùstria financeira global, afirmando que a aquisição da NeoSpace "cria condições para desenvolver soluções que estabeleçam novos padrões de mercado, no Brasil e no mundo" — citação reproduzida pela redação do Estadão.
Onde a cobertura diverge
- Valor da operação: a Tilt (UOL) e a InvestNews apontam R$ 2,9 bilhões, enquanto o Estadão informa R$ 2,925 bilhões — divergência de precisão aparentemente resolvida ao apresentar a mesma ordem de grandeza;
- Nome da empresa: a Tilt (UOL) e a InvestNews referem-se a ela como NeoSpace, já o Estadão inclui o complemento A.I. Technologies no nome corporativo;
- Detalhe de pagamento: a redação do Estadão menciona que o valor será quitado com uma parcela no fechamento e o restante diferido, enquanto a Tilt (UOL) indica que a primeira parcela será paga após a aprovação do Cade e do Bacen — divergência ainda não aclarada sobre qual condição específica libera o pagamento inicial.
O que ainda não foi divulgado
- Valor exato de cada parcela do pagamento, incluindo a não informada no fechamento;
- Previsão de calendário para a conclusão da operação após as aprovações regulatórias;
- Quantidade de funcionários da NeoSpace que comprão ao Itaú após a autonomia operacional;
- Impacto projetado da integração nas operações de crédito, CRM e prevenção a fraudes do banco.


