Segundo a La Nación, o aumento da inteligência artificial está sendo ameaçado por uma epidemia de números pouco confiáveis, com os valores de receita da OpenAI e da Anthropic sendo apresentados como projeções de ARR e não como vendas reais, o que provoca volatilidade nos mercados.
Como os números são apresentados
Segundo a La Nación, a primeira “A” de ARR refere‑se a “anual” no sentido de que guarda relação com o calendário gregoriano (vendas mensais multiplicadas por 12).
A primeira “R” significa “recorrente”, indicando que a empresa espera que os fluxos continuem.
A segunda “R”, de “receita”, é calculada diferentemente: a Anthropic conta as vendas de seus modelos feitas por provedores de nuvem, enquanto a OpenAI só as contabiliza depois de subtrair a parte de seus socios.
Até que as empresas abram capital, os investidores ficam em um “interregno estranho”, onde até mesmo a menor sugestão de notícias sobre esses números, que por si são apenas sugestões, abala o mercado.
Reação do mercado e comparações
Segundo a La Nación, o Financial Times afirmou que as receitas da OpenAI se aproximavam de US$50 bilhões, enquanto a Axios, na semana anterior, havia mencionado US$70 bilhões.

As ações de tecnologia caíram, e investidores reclamaram de não conhecer os números; depois subiram, e o CEO da Broadcom, Hock Tan, disse, conforme a Bloomberg citada pela La Nación, que os mercados se parecem com um cassino.
A La Nación ainda cita que, em 14 de outubro, a Anthropic teria dito aos investidores que tinha receita de US$17 bilhões no terceiro trimestre e que, segundo sua medida ajustada, era lucrativa; ainda assim não ficou claro o quanto as vendas tinham crescido desde julho, quando o ARR era de US$65 bilhões.
A La Nación menciona ainda a Coatue, firma de investimento focada em tecnologia, que sugere que os laboratórios deveriam ser valorizados por um múltiplo do Ebitda pré‑treinamento (lucros antes de juros, impostos, depreciação, amortização e antes do custo de treinamento dos modelos). Essa lógica poderia lembrar o EBITDAX da indústria de petróleo ou a prática de inflar o Ebitda no private equity.
Contexto histórico
Segundo a La Nación, cada boom de investimento trouxe uma galeria de siglas, números ajustados e técnicas de valorization que às vezes esclarecem e outras vezes obscurecem, comparando com os desafios de contabilizar goodwill nas fusões dos anos 80, medir marcas e patentes nos anos 90/2000 e o efeito da compensação baseada em ações na década de 2010.


