OCTO+

Índia anuncia plano de US$ 200 bilhões em chips até 2035

O governo indiano afirma que investirá mais de US$ 200 bilhões em semicondutores até 2035, visando tornar o país um hub global de tecnologia.

11 de out., 14:15 2 fontes · 2 países Mercado Infraestrutura
Mercado
Interior de uma fábrica de semicondutores com linhas de produção e wafers Foto: Andrey Matveev / Pexels

O governo indiano anunciou que pretende investir mais de US$ 200 bilhões na produção de semicondutores até 2035, como parte de uma estratégia que inclui bilhões em eletrônica e inteligência artificial para transformar o país em um hub tecnológico mundial.

Investimento em semicondutores e eletrônica

Segundo o The Economic Times e o Gulf News, entre 2017 e 2025 a Índia importou cerca de US$ 150 bilhões em microchips, componentes usados em smartphones, equipamentos e sistemas de defesa. Para reduzir essa dependência, o governo comprometeu mais de US$ 20 bilhões em apoio direto ao setor.

Atualmente cinco unidades de montagem, teste e embalagem estão em operação comercial, envolvendo a norte‑americana Micron, empresas indianas como Kaynes, CDIL e Suchi Semicon, além da joint venture CG Semi (Índia, Japão e Tailândia). Outros sete projetos foram aprovados, entre eles a fábrica de chips que a Tata Electronics está construindo em parceria com a taiwanesa PSMC no estado de Gujarat.

O mercado indiano de semicondutores foi estimado em cerca de US$ 50 bilhões em 2026 e deve chegar a US$ 110 bilhões até 2030, ultrapassando US$ 200 bilhões por volta de 2035, segundo projeções oficiais. A produção eletrônica do país saltou de US$ 31 bilhões em 2014‑15 para US$ 133 bilhões em 2024‑25, com empresas como Apple e Samsung ampliando fábricas locais. O governo também oferece incentivos para que fornecedores de componentes se instalem na Índia.

Expansão de data centres e hub de IA

Apesar de possuir apenas cerca de três por cento da capacidade global de data centres, a Índia pretende se tornar uma alternativa às opções existentes, segundo Arvind Gupta, da Digital India Foundation. O executivo afirma que projetos em curso somam quase US$ 70 bilhões, com mais US$ 90 bilhões anunciados para construção futura.

Fileira de servidores em um centro de dados com luzes de status
Foto: Brett Sayles / Pexels

Entre os investidores estão conglomerados indianos como Reliance e Adani, bem como gigantes de tecnologia dos EUA — Amazon, Microsoft e Meta. O porto de Visakhapatnam, no sudeste do país, destaca‑se como polo estratégico; lá o Google está erguendo um centro de IA avaliado em US$ 15 bilhões.

Força de trabalho, talentos e desafios

A Índia afirma ter quase 20 por cento da força de trabalho global dedicada ao design de chips. O ministro de Tecnologia, Ashwini Vaishnaw, informa que aproximadamente 70 mil engenheiros de projeto foram capacitados nos últimos quatro anos, e que cursos relacionados a semicondutores foram ampliados em centenas de faculdades de engenharia.

Durante um encontro com empresas de tecnologia em setembro, o primeiro‑ministro Narendra Modi descreveu esse conjunto de habilidades como uma “mina de ouro”. Porém, o banco de investimento Nomura alerta que o país pode se tornar o ponto zero da disrupção de empregos impulsionada por IA na Ásia, dada sua enorme base de trabalhadores de TI.

O governo espera que as vagas ligadas à inteligência artificial quase dobrem, chegando a 1,25 milhão até 2027. Especialistas, porém, questionam se a Índia conseguirá transformar seus planos ambiciosos em produção competitiva frente aos Estados Unidos, China e Coreia do Sul, observando que ainda há um longo caminho a percorrer para igualar a saída desses rivais.

Apurado em 2 fontes

The Economic Times (Índia) · Gulf News (Emirados Árabes Unidos)

Continue lendo

Receba sem abrir o site

no e-mail ou no WhatsApp · análises + plantão + resumo semanal · cancele com 1 clique
Pronto. A primeira edição chega no seu e-mail.

Assine GRÁTIS e cancele com 1 CLIQUE quando quiser. ;)