A presidente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que o aumento da produtividade trazido pela inteligência artificial pode compensar a redução da força de trabalho provocada pelo envelhecimento populacional na Coreia do Sul, China e Japão. Ela falou neste domingo, 12 de outubro de 2026, durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc.
Projeções de perda de mão‑obra e papel da IA
Segundo o relatório divulgado pelo FMI no evento, a Coreia do Sul, a China e o Japão podem perder cerca de 25% de sua população em idade de trabalhar entre agora e 2050 devido ao envelhecimento. Essa queda seria absorvida pelos ganhos de eficiência e produtividade que a IA pode gerar nas empresas, segundo a análise do fundo.
Georgieva destacou, porém, que a distribuição desses benefícios não será uniforme. Ela alertou que a adoção da IA pode ampliar as disparidades econômicas entre os países asiáticos, exigindo uma resposta equilibrada dos formuladores de política.
Investimento em IA como motor do crescimento global
A presidente do FMI afirmou que o aumento dos investimentos em infraestrutura de IA está funcionando como um dos principais impulsionadores da expansão econômica mundial, mantendo a taxa de crescimento global em torno de 3% mesmo diante de pressões negativas oriundas de choques de oferta de energia.
Ela quantificou o efeito: as economias avançadas da Ásia deveriam ver um acréscimo de 0,5 a 1,0 ponto percentual no PIB, enquanto as nações emergentes da região poderiam ganhar entre 0,2 e 0,8 ponto percentual devido aos mesmos investimentos.
Como exemplo, a OECD havia elevado recentemente a previsão de crescimento da Coreia do Sul para 2026 de 1,9% para 3,7%, citando a difusão da IA como fator de alta para investimento e produção.

Impacto no emprego e alertas do FMI
Georgieva lembrou que, a longo prazo, o FMI estima que até 40% dos empregos no mundo podem ser afetados pela IA, seja através da complementação de habilidades, da redução de requisitos ou da eliminação de postos de trabalho.
Nos Estados Unidos, cerca de 10% dos empregos já exigem competências em IA, enquanto atividades repetitivas tendem a diminuir. Ao mesmo tempo, setores como construção e data centers têm visto um aumento de vagas de baixa remuneração, indicando uma polarização do mercado de trabalho.
Ela concluiu recomendando que os governos adotem políticas que direcionem a IA para o aprimoramento das capacidades dos trabalhadores, evitando que a tecnologia seja usada apenas para substituição de postos.
O que ainda não foi divulgado
O material não especificou quais medidas concretas o FMI recomenda para mitigar as desigualdades nem detalhou os cronogramas esperados para que os ganhos de produtividade da IA se materializem plenamente nas economias sul-coreana, chinesa e japonesa.


