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ONG usa IA para monitorar aulas em Gaza contra discursos de ódio

Gaza Children Village planeja gravar aulas e usar inteligência artificial para detectar fala considerada de ódio, segundo The Independent.

09 de out., 04:17 7 fontes · 4 países Regulação
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Foto de uma sala de aula com câmeras e ícones de inteligência artificial Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels

A ONG norte-americana Gaza Children Village planeja usar inteligência artificial para gravar e analisar conversas nas salas de aula de suas escolas em Gaza, identificando discursos considerados de ódio ou incitadores à violência, conforme revelado pelo jornal The Independent.

Plano e justificativa

O projeto foi anunciado publicamente pelo fundador da organização, o neurocirurgião Dr. David Hasan, durante um webinar com grupos humanitários no mês passado. As aulas, ministradas nas chamadas Academies of Hope, seguem principalmente o currículo da Autoridade Palestina, mas trechos que, segundo Hasan, glorificam a violência ou fomentam sentimentos anti-Israel e antissemitas foram removidos.

A ideia central é que a IA ajude a sinalizar falas consideradas hateful ou incitadoras durante as aulas. Hasan também afirmou que o objetivo é facilitar o treinamento dos professores para manter uma pedagogia alinhada a uma visão de paz e tolerância. Ele nasceu no Kuwait para pais palestinos e passou a infância acreditando que Jews e israelenses eram inimigos — até mudar de perspectiva ao estudar nos EUA.

Segundo The Independent, não há planos da ONG de compartilhar as gravações com terceiros. Mas isso não evita o alvoroço causado por uma tecnologia que já foi usada pelas forças israelenses para analisar comunicações interceptadas em tempo de conflito.

O primeiro centro da iniciativa abriu no verão passado e oferece refeições, atendimento médico e psicológico. A ONG arrecada fundos principalmente de doadores individuais, incluindo judeus norte-americanos.

Foto de um professor palestino ensinando crianças em uma sala de aula simples
Foto: Hosny salah / Pexels

Reações e críticas

Grupos palestinos e organizações de direitos humanos manifestaram preocupações com a ética, a privacidade e a segurança desse tipo de monitoramento. Ao menos um parceiro da ONG também demonstrou reserva sobre o projeto.

A preocupação com uso indevido da tecnologia cresce em um contexto pós-guerra em que a IA já foi usada para detectar alvos em comunicações capturadas. Para muitos, isso alimenta medo de vigilância em massa.

Além disso, grupos de direitos humanos criticam a agenda educacional da Gaza Children Village por não ser submetida ao controle de agências locais ou da ONU, que tradicionalmente gerenciam escolas na região.

Informações ainda não reveladas

Apurado em 7 fontes

The Independent (Reino Unido)

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