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IA no jornalismo: confiança e humanos no Expeeria do Líbano

Nayla Touini e Eli Habib defendem a IA como ferramenta de apoio, reforçando que confiança e verificação jornalística permanecem tarefas humanas.

11 de out., 14:17 2 fontes · 1 país Negócios Cultura
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Sala de redação com telas exibindo painéis de análise de inteligência artificial Foto: SHAHBAZ ZAMAN / Pexels

Em 10 de outubro de 2026, durante o Expeeria no Líbano, a sessão 'Verified: Truth and Truth' reuniu Nayla Touini, CEO do Grupo An-Nahar, Eli Habib, fundador do World Monitor, e a jornalista digital Nur para debater a integração da inteligência artificial no jornalismo. O consenso foi de que a tecnologia deve servir como ferramenta de apoio ao trabalho humano, preservando a confiança como pilar essencial da credibilidade midiática.

Touini: a IA não substitui, desenvolve — e o jornalista continua no comando

Nayla Touini declarou que a discussão sobre inteligência artificial no jornalismo deixou de girar em torno de se as ferramentas devem ser utilizadas ou se substituirão profissionais. Segundo ela, o essencial agora é compreender como empregar a IA para desenvolver o trabalho jornalístico, adaptando-se às mudanças tecnológicas de forma a permitir a evolução e a continuidade da identidade institucional do Grupo An-Nahar.

Ela destacou que o Grupo An-Nahar já lançou, há dois anos, uma sala de notícias com apoio de IA, como parte de uma estratégia de inovação contínua. Mas reforçou: a tecnologia não muda a essência da missão. O que importa é que o jornalista não desista de sua função de verificar, contextualizar e decidir. A identidade da marca não desaparece — ela se reinventa.

Habib: a calculadora não pensa, mas liberta tempo para quem pensa de fato

Eli Habib contou que sua iniciativa com o World Monitor teve origem em uma curiosidade pessoal: explorar o potencial da IA para entender notícias globais e validar sua precisão. Ele ilustrou o impacto da IA com a analogia da calculadora — um instrumento que não elimina a necessidade de pensar, mas automatiza demandas repetitivas, proporcionando mais tempo para análise crítica, compreensão aprofundada e decisões estratégicas.

Mundo sob pressão: como a IA ajuda a filtrar notícias de desinformação

Habib detalhou que o World Monitor surgiu do objetivo de monitorar um grande número de fontes de notícias internacionais e desenvolver mecanismos que auxiliem na comparação sistemática de informações e na avaliação objetiva de sua veracidade. Essa abordagem busca responder ao desafio contemporâneo de distinguir notícias fidedignas de conteúdo enganoso em um ambiente midiático saturado de informações.

Jornalista comparando informações em múltiplas fontes em tela de computador
Foto: cottonbro studio / Pexels

Para ele, a IA não é uma ameaça — é um filtro. Mas um que precisa ser operado por humanos. A máquina compara, cruza, acerta ou errado. O jornalista decide. E é essa divisão de tarefas que salva a credibilidade.

Nur: a confiança não é um recurso, é o pilar

A jornalista digital Nur encerrou o debate com uma frase simples: 'a confiança do público só pode ser preservada quando jornalistas humanos permanecem responsáveis pela checagem de fontes, pela edição cuidadosa e pela decisão final de publicação'. Ela não usou metáforas. Não precisou. O consenso da plateia foi contundente: delegar verificação, edição e publicação a máquinas comprometeria a credibilidade do jornalismo.

Do Expeeria à sala de aula: Touini quer preparar os jovens para o futuro sem perder o presente

Touini estendeu sua perspectiva sobre a IA para o campo da educação, argumentando que o foco não deve ser assustar crianças com a tecnologia, mas introduzí-las às suas ferramentas e ajudá-las a desenvolver habilidades relevantes para o mercado de trabalho futuro. Nesse sentido, ela anunciou que o Grupo An-Nahar mantém suas portas abertas para indivíduos interessados em aprender sobre e experimentar aplicações de inteligência artificial, considerando que o jornalismo responsável e a mídia ética devem constituir o núcleo dessa transformação tecnológica.

Não é sobre adaptação para sobreviver. É sobre preparação para não perder o que faz o jornalismo ser jornalismo.

Apurado em 2 fontes

Annahar Al-Arabi (النهار العربي) (Líbano)

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