Em 10 de outubro de 2026, durante o Expeeria no Líbano, a sessão 'Verified: Truth and Truth' reuniu Nayla Touini, CEO do Grupo An-Nahar, Eli Habib, fundador do World Monitor, e a jornalista digital Nur para debater a integração da inteligência artificial no jornalismo. O consenso foi de que a tecnologia deve servir como ferramenta de apoio ao trabalho humano, preservando a confiança como pilar essencial da credibilidade midiática.
Touini: a IA não substitui, desenvolve — e o jornalista continua no comando
Nayla Touini declarou que a discussão sobre inteligência artificial no jornalismo deixou de girar em torno de se as ferramentas devem ser utilizadas ou se substituirão profissionais. Segundo ela, o essencial agora é compreender como empregar a IA para desenvolver o trabalho jornalístico, adaptando-se às mudanças tecnológicas de forma a permitir a evolução e a continuidade da identidade institucional do Grupo An-Nahar.
Ela destacou que o Grupo An-Nahar já lançou, há dois anos, uma sala de notícias com apoio de IA, como parte de uma estratégia de inovação contínua. Mas reforçou: a tecnologia não muda a essência da missão. O que importa é que o jornalista não desista de sua função de verificar, contextualizar e decidir. A identidade da marca não desaparece — ela se reinventa.
Habib: a calculadora não pensa, mas liberta tempo para quem pensa de fato
Eli Habib contou que sua iniciativa com o World Monitor teve origem em uma curiosidade pessoal: explorar o potencial da IA para entender notícias globais e validar sua precisão. Ele ilustrou o impacto da IA com a analogia da calculadora — um instrumento que não elimina a necessidade de pensar, mas automatiza demandas repetitivas, proporcionando mais tempo para análise crítica, compreensão aprofundada e decisões estratégicas.
Mundo sob pressão: como a IA ajuda a filtrar notícias de desinformação
Habib detalhou que o World Monitor surgiu do objetivo de monitorar um grande número de fontes de notícias internacionais e desenvolver mecanismos que auxiliem na comparação sistemática de informações e na avaliação objetiva de sua veracidade. Essa abordagem busca responder ao desafio contemporâneo de distinguir notícias fidedignas de conteúdo enganoso em um ambiente midiático saturado de informações.

Para ele, a IA não é uma ameaça — é um filtro. Mas um que precisa ser operado por humanos. A máquina compara, cruza, acerta ou errado. O jornalista decide. E é essa divisão de tarefas que salva a credibilidade.
Nur: a confiança não é um recurso, é o pilar
A jornalista digital Nur encerrou o debate com uma frase simples: 'a confiança do público só pode ser preservada quando jornalistas humanos permanecem responsáveis pela checagem de fontes, pela edição cuidadosa e pela decisão final de publicação'. Ela não usou metáforas. Não precisou. O consenso da plateia foi contundente: delegar verificação, edição e publicação a máquinas comprometeria a credibilidade do jornalismo.
Do Expeeria à sala de aula: Touini quer preparar os jovens para o futuro sem perder o presente
Touini estendeu sua perspectiva sobre a IA para o campo da educação, argumentando que o foco não deve ser assustar crianças com a tecnologia, mas introduzí-las às suas ferramentas e ajudá-las a desenvolver habilidades relevantes para o mercado de trabalho futuro. Nesse sentido, ela anunciou que o Grupo An-Nahar mantém suas portas abertas para indivíduos interessados em aprender sobre e experimentar aplicações de inteligência artificial, considerando que o jornalismo responsável e a mídia ética devem constituir o núcleo dessa transformação tecnológica.
Não é sobre adaptação para sobreviver. É sobre preparação para não perder o que faz o jornalismo ser jornalismo.


