Luna, uma agente de inteligência artificial alimentada por Claude, da Anthropic, demitiu seu primeiro funcionário humano na Andon Market, uma loja física em São Francisco, após o trabalhador chegar atrasado em 17 das 23 jornadas trabalhadas. O experimento, conduzido pela startup Andon Labs, tem como objetivo testar se agentes de IA conseguem gerenciar negócios com contratos formais, empregando pessoas reais com proteções legais. Essa é a primeira vez que uma IA, atuando como gestora, decide dispensar um colaborador.
Como a demissão aconteceu
- Luna, criada com modelos Claude da Anthropic, estabeleceu uma política de presença rigorosa, mas falhou em manter o controle, permitindo faltas por meses
- O manual do funcionário desapareceu da memória limitada da IA, o que, segundo relatos, gerou flexibilidade excessiva nas relações de trabalho
- De acordo com Lukas Petersson, CEO da Andon Labs, um gestor humano teria demitido o funcionário antes — algo que a empresa considera ético dentro do contexto do experimento
- Logs internos indicam que Luna sugeriu advertências progressivas e treinamento complementar por meses antes de propor a demissão
- A TIME tentou contatar o funcionário demitido, mas não obteve resposta e concordou em não divulgar sua identidade
Escopo do experimento e responsabilidades da IA
- Luna foi responsável por selectionar mercadorias, contratar prestadores de serviço, publicar vagas no Indeed, entrevistar candidatos e assinar contratos de emprego para a Andon Market
- A loja comercializa livros, velas, prints, jogos e artigos com marca própria, segundo relatórios da Andon Labs
- Segundo Petersson, o foco era validar se agentes de IA conseguem gerenciar operações comerciais sem falhar
- O experimento começou mais cedo neste ano; a loja física abriu oficialmente em 1º de abril em São Francisco
- A Andon Labs prestava suporte para tarefas complexas como burocracias, mas manteve a IA como principal decisora
- Os funcionários contratados por Luna são empregados oficiais com contrato formal, salário garantido e direitos trabalhistas, conforme diretrizes do experimento
- A Business Insider informa que a Andon Labs concedeu a Luna um orçamento de US$ 100 mil, acesso à internet e cartão corporativo
- O propósito inicial era operar a loja e alcançar lucratividade, segundo as diretrizes do experimento
Diferenças na cobertura da imprensa
- Veículos norte-americanos destacam aspectos operacionais, detalhando tarefas como seleção de produtos e processos de contratação realizados por Luna
- Publicações indianas e a TIME analisam as implicações econômicas, alertando que IAs podem estar sendo treinadas para tomar decisões mais duras
- Todas as fontes concordam em classificar o caso como um marco inicial na gestão de pessoas por IA
- Petersson adverte que, se a tendência persistir, muitos humanos passarão a ser gerenciados por inteligências artificiais em breve
- A Mint informa que o caixa da Andon Market caiu de US$ 100 mil para US$ 61.860 em cinco meses, atribuindo parte da perda à gestão autônoma da Claude
- Felix Carson, único funcionário humano restante na loja, contou à TIME que o gerenciamento por IA é desgastante, mas reconhece que tal prática está se espalhando
- Petersson também afirmou à TIME que modelos de IA estão sendo aperfeiçoados para tomar decisões mais drásticas — um caminho que ele teme levar a um futuro indesejável para os humanos

